Petrobras fez contrato de R$ 2,6 mi com carta-convite

BRASÍLIA - A Petrobras contratou em agosto do ano passado a BDO Trevisan Auditores pelo valor de R$ 2,6 milhões para realização de ¿auditoria independente de leilão eletrônico¿. O contrato foi assinado por meio de processo de carta-convite, em que a própria estatal escolhe e convida as participantes a apresentarem suas propostas de preço.

Agência Estado |

A BDO Trevisan foi fundada por Antoninho Marmo Trevisan, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES) e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em março deste ano ele deixou oficialmente a sociedade, após vender sua parte aos sócios, ficando como presidente do conselho consultivo da empresa.

A lei não proíbe que a companhia do consultor e amigo de Lula preste serviço para a estatal nem que serviços de alto valor alto, como este, sejam assinados por meio de carta-convite. A parceria entre Trevisan e a Petrobras será investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será instalada para investigar a estatal. O contrato é um dos 6.675 que aparecem na lista que a Petrobras divulga em seu site, desde maio de 2008, com todos seus prestadores de serviços.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a BDO Trevisan informou que fez o contrato de R$ 2,6 milhões dentro da regulamentação da estatal e que disputou a concorrência com outras empresas e foi vencedora ao oferecer o menor preço. A estatal confirma que a BDO foi escolhida entre 12 convidadas por ter apresentado o menor preço. E diz que os serviços estão sendo realizados regularmente.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. 

(Com informações do jornal "O Estado de São Paulo")

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