Petrobras compra mais GNL para garantir abastecimento em julho

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras prevê para julho a chegada de mais um carregamento de Gás Natural Liquefeito (GNL) ao Brasil para dar segurança ao abastecimento de energia elétrica no país, diante de uma prevista redução de produção na bacia de Campos, da retomada econômica e de uma eventual falta de chuvas no Nordeste no segundo semestre.

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De acordo com a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, a carga de GNL contratada virá no navio Golar Winter, liberando o Golar Spirit, hoje na baía da Guanabara (RJ), para voltar ao Ceará e atender a região Nordeste do país se necessário.

"O Golar Winter estará saindo de Cingapura na primeira semana de junho...vai ser carregado em algum lugar do mundo e chega em julho", informou a executiva após palestra para executivos sobre o plano 2009-2013 da companhia.

O carregamento do Golar Winter poderá gerar entre 3 e 4 milhões de metros cúbicos diários de gás natural durante 10 dias.

"É uma segurança para o sistema", resumiu Graça.

Além do GNL, a Petrobras já prevê comprar mais gás natural da Bolívia em julho, aumentando em um milhão os 30 milhões de metros cúbicos da cota máxima. No momento, no entanto, a empresa está comprando abaixo da cota, informou a diretora.

"Semana passada puxamos 30 (milhões de metros cúbicos) e agora estamos puxando 27, porque tenho gás mais barato aqui (no Brasil)", explicou.

O volume maior também está sendo motivado pela recuperação econômica, segundo Graça, que lembrou que até pouco tempo atrás a Petrobras tinha 7 milhões de metros cúbicos de gás natural sobrando.

"Veio patinando (o consumo) até março, senti uma recuperação em abril, e em maio deu uma puxada que chegou a dar 35 milhões de metros cúbicos no dia 15 de maio de gás não térmico", disse a diretora, ressaltando que o aumento do uso do gás se deve em parte aos cinco leilões de gás que a Petrobras realizou, e que reduziu o preço do produto para a indústria.

Segundo ela, a geração elétrica a partir das usinas térmicas --que são acionadas para poupar água dos reservatórios das hidrelétricas-- era de cerca de 500 megawatts em média até abril, e em maio a média diária tem sido de 2,5 mil megawatts, com picos acima de 3 mil megawatts.

"Estava gerando 500 megawatts de energia no finalzinho de abril e em maio já cheguei a gerar 3.400 megas, só no Sudeste, para enviar para o Sul", disse Graça.

No final de abril, o Operador Nacional do Sistema pediu à Petrobras para aumentar a geração elétrica via térmicas para ajudar o abastecimento no Sul do país, que sofria com uma forte seca.

Graça explicou ainda que serão feitas algumas interligações na bacia de Campos, maior região produtora do país, e por isso haverá também redução de produção nacional. "Por alguns momentos eu posso não dispor de todo gás que eu preciso, por isso o GNL", disse Graça.

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