A bancada do PT pediu ao relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Adilson Troca (PSDB), a inclusão do nome da governadora Yeda Crusius (PSDB) entre os agentes públicos que participaram ou contribuíram, em diversos graus, com a montagem, operação e manutenção da fraude que desviou R$ 44 milhões da autarquia gaúcha. A solicitação foi entregue hoje, último dia do prazo dado pelo parlamentar tucano para a entrega de sugestões.

No texto, os deputados do PT consideram que a governadora incorreu em atos de improbidade administrativa porque saberia do esquema de superfaturamento por serviços prestados ao Detran por empresas que tinham alguns de seus aliados políticos entre os sócios e não agiu para esclarecê-lo. As evidências, segundo os deputados do PT, foram retiradas de conversas e correspondências entre alguns envolvidos que citaram a governadora.

Além de Yeda, a bancada petista pediu o indiciamento do deputado federal José Otávio Germano (PP), do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), João Luiz Vargas, dos ex-secretários Delson Martini, Ariosto Culau, Cézar Busatto e Marcelo Cavalcante, também referidos em conversas gravadas e ouvidas pela CPI, do empresário Lair Ferst e do ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) Antônio Dorneu Maciel, réus no processo que já tramita na Justiça Federal de Santa Maria.

'Proteção política'

"Essa fraude só houve porque houve sustentação política de lideranças partidárias e do governo", afirmou o deputado estadual Elvino Bohn Gass, ao justificar a iniciativa da bancada. "Não podemos aceitar que haja qualquer proteção política a ninguém", disse. A posição do Palácio Piratini foi manifestada pelo porta-voz Paulo Fona, que considerou o pedido dos deputados do PT "peça de ficção política partidária em que a oposição cria factóides, faz avaliações e tira conclusões que não correspondem à realidade".

O relator Adilson Troca adiantou que não vai atender a solicitação da oposição, alegando que a governadora não foi citada, chamada ou indiciada nas investigações do mesmo caso feitas pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF). Também sustentou que não sofre pressões de aliados para deixar de citar alguns nomes nas conclusões que vai apresentar no dia 4 de julho. Ele admitiu indiciar Ferst e Maciel.

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