Petistas querem chefe de gabinete de Lula na presidência do PT

SÃO PAULO - Petistas de várias esferas do partido realizam um movimento para levar o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ao comando do PT nas eleições internas que acontecem este ano.

Reuters |

A dificuldade, até agora, é convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dispensar o auxiliar estratégico, que o acompanha no governo desde o primeiro dia, em 2003.

O próximo presidente do PT terá como principal missão criar as bases para a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República em 2010.

Consultado, Carvalho confirmou as pressões em torno de seu nome, mas disse que não lançaria uma candidatura sem o consentimento de Lula.

"Estou no governo, a não ser que o presidente Lula altere sua opinião... Se acontecer de ele mudar de ideia, eu vou cumprir esta tarefa", disse Carvalho à Reuters.

O partido marcou para novembro a escolha do substituto do atual presidente, o deputado Ricardo Berzoini (SP), que está à frente da sigla desde 2005 e que pelas regras da legenda não pode se candidatar por estar em seu segundo mandato. O registro das chapas deve ser feito em julho.

"É consenso hoje que o melhor nome é o de Gilberto Carvalho. O problema é que Lula não quer dispensá-lo pelo seu papel de importância no governo", afirmou o ex-prefeito Edinho Silva, presidente do diretório PT paulista.

Conselheiro de Lula, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, afirma que tentará convencer o presidente a liberar o assessor.

"Para presidir o PT só tem uma liderança hoje: chama-se Gilberto Carvalho", disse Marinho. "Temos que convencer o presidente Lula a liberar o quadro dirigente que tem toda a autoridade para unificar o partido", avaliou Marinho, para quem o governo está estruturado e pode passar sem o auxiliar palaciano.

O presidente do PT estadual acredita que Carvalho tem o apoio de tendências da legenda, além da Construindo um Novo Brasil --que reúne o próprio presidente Lula e toda a ala moderada do partido. Citou a Novo Rumo (de Marta Suplicy) e A Mensagem (de Tarso Genro) e disse que o Movimento PT estaria aberto a conversar. Unificar as correntes seria o principal trunfo de Carvalho, além da capacidade em realizar as articulações partidárias visando a eleição presidencial.

Lula discorda, segundo Carvalho. "O presidente me disse: Gilbertinho, você é bom na conciliação, mas precisamos de alguém com mais envergadura (no comando do PT) para 2010, para montar o processo (eleitoral)", relatou o assessor, que foi secretário-geral do PT nos anos 1990 e hoje é responsável por intermediar todos os encontros e contatos com Lula no gabinete.

O presidente, segundo Carvalho, teria externado sua opinião a Berzoini, à senadora Ideli Salvatti (SC) e ao deputado Maurício Rands (PE), entre outros parlamentares, e reiterado junto a governadores do PT.

Lula, no entanto, concordou com uma ação partidária por parte do assessor, autorizando seu afastamento temporário no ano passado para participar da reta final da campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo.

Apesar da campanha a favor de Carvalho, o petista já teve seu nome relacionado em alguns escândalos, como o de Santo André (SP), quando foi acusado de envolvimento na coleta de recursos para o partido.

Outro nome que foi ventilado para o comando do PT é o do ministro Luiz Dulci (secretário-geral da Presidência). O próprio Carvalho citou seu nome, mas Dulci deu declarações públicas de que o chefe de gabinete tem seu apoio.

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