BRASÍLIA - Os senadores Sibá Machado e Tião Viana, ambos do PT do Acre, negaram a existência de conflitos entre o governo e a ministra demissionária do Meio Ambiente, Marina Silva. De acordo com Sibá, ninguém do alto escalão de Lula passa por isolamentos dentro da administração. Tião Viana alegou que a saída da ministra é algo absolutamente normal e não significa uma instabilidade entre ela e o governo Lula.


"Ela concluiu que era hora de sair. Deu sua contribuição para o meio ambiente. É uma prerrogativa dela, uma decisão absolutamente normal que em nada significa instabilidade com o governo Lula", disse Tião.

Ambos os senadores elogiaram a atuação de Marina frente ao ministério do Meio Ambiente, e disseram que o partido está de braços abertos para seu retorno ao Senado.

Suplente diz que vai procurar emprego

Sibá, que é suplente da ministra, e por isso está no Senado, chegou a brincar dizendo que quando a colega retornar ao parlamento ele vai concluir seu mestrado no Acre e "procurar um emprego".

Fora o discurso petista, que nega divergências entre Silva e o alto escalão de Lula, o senador Jéferson Péres (PDT-AM), lembrou que praticamente desde que assumiu a pasta, Marina mostra insatisfações com setores da administração federal.

"Eu já sentia que ela vinha descontente com algumas ações do governo. Para mim não foi surpresa [a demissão]. Seria deselegante antecipar razões [da demissão], mas uma possibilidade é o conflito com a ala desenvolvimentista [do governo], que quer o crescimento a qualquer preço", disse.

Há algum tempo existem notícias de divergências políticas de Silva com outros ministros, como Dilma Rousseff (Casa Civil) e Reinhold Stephanes (Agricultura). Eles acusam a ministra de barrar projetos importantes para obras do PAC e dificultar a expansão agrícola, madeireira e agropecuária.

Entre os críticos da ministra está o senador Jayme Campos (DEM-MT), presidente da comissão externa de risco ambiental do Senado. De acordo com ele Marina "estava sendo um entrave para o desenvolvimento do país".

Ele alega que a ministra deveria ser "mais ponderada e ter bom senso" na união entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. "Ela estava passando para a opinião pública a imagem de que estava segurando o progresso no país, que hoje precisa de alimentos e energia", disse.

Apelo governista

A líder do bloco de apoio ao governo no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), disse no plenário do Senado que o ministro das relações institucionais, José Múcio, estaria fazendo um apelo para quea ministra Marina da Silva não deixe a pasta do Meio Ambiente.

"Múcio disse que há uma tentativa de convencimento", revelou. "Esperamos uma reconsideração para que ela continue com o trabalho. Mas caso volte para o senado estaremos esperando com grande satisfação", disse Ideli.

Leia também:


Leia mais sobre: Marina Silva

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.