Petistas barram convite para ex-porta-voz das Farc depor

Deputados da bancada petista impediram hoje a aprovação de requerimento para que Francisco Antonio Cadena Collazos, conhecido no Brasil como padre Olivério Medina, ou Cura Molina, fosse convidado a depor nas comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública e Defesa Nacional. A oposição quer que Medina explique suas relações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Agência Estado |

Os petistas alegam que como o ex-padre, que atuou como porta-voz da Farc, é refugiado político no Brasil, não pode ir ao Congresso para se expor em uma sessão pública.

"Ele (Medina) não pode emitir opinião política. Como exilado político, ele não pode ir ao Parlamento se expor", disse o deputado Dr. Rosinha (PT-PR). "A bancada do PT é contra ele (Medina) vir à Comissão, na medida em que isso o coloca em uma situação constrangedora", afirmou o deputado Carlos Zaratini (PT-SP). "Essa posição do PT é um absurdo. Eles querem evitar que o padre caia em alguma contradição", rebateu o deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP). "Nós somos um poder da República. Não estamos aqui para insuflar ninguém contra ou a favor das Farc."

Ontem, o presidente do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), Luis Paulo Barreto, afirmou que o status de refugiado concedido a Olivério Medina, em 14 de julho de 2006, permite "o direito a livre expressão de pensamento". "Uma coisa é ele (Medina) fazer uma palestra, reunir-se com deputados. O que ele não pode é arregimentar um grupo, financiar armamento, por exemplo. O que a lei não permite é atividade política para desestabilizar politicamente o país de origem, no caso a Colômbia", disse.

Matéria publicada pela revista colombiana Cambio aponta a existência de e-mails que teriam sido trocados entre Raúl Reyes, que foi morto este ano e era considerado o número dois na hierarquia das Farc, e representantes da organização citando integrantes do governo brasileiro. Entre os nomes citados nos e-mails estariam o do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e dos ex-ministros José Dirceu e Roberto Amaral, além de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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