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Peter Jackson mostra seu lado mais humano em Um Olhar do Paraíso

LONDRES ¿ Uma fria e cinzenta Londres foi palco hoje da estreia mundial do último filme do premiado diretor Peter Jackson, Um Olhar do Paraíso, adaptação do livro homônimo de Alice Sebold, que narra a vida de uma família após o assassinato de sua filha adolescente pelas mãos de um vizinho.

EFE |

O cineasta retorna às telonas quatro anos depois de seu último filme, "King Kong" (2005), cercado por um sólido elenco liderado por Susan Sarandon e completado por nomes do calibre de Rachel Weisz e Mark Wahlberg.

"Um Olhar do Paraíso" é uma adaptação do romance homônimo que, há sete anos, catapultou a escritora americana Alice Sebold para a fama. Sua estreia nas salas de cinema contou do príncipe Charles e de sua esposa, Camilla, duquesa da Cornualha.

A trama gira em torno do assassinato de Susie Salmon (Saoirse Ronan), uma menina de 14 anos que é brutalmente estuprada, assassinada e esquartejada em uma fria tarde de inverno de 1973, quando voltava do colégio, por seu vizinho George Harvey (Stanley Tucci).

Por causa desse trágico incidente, a história mostra como a garota observa sua família, em profunda dor, a partir de seu particular limbo e como esta se nega a aceitar sua morte e a dar o passo definitivo ao além.

Assim, o espírito de Susie consegue se conectar com seu pai, Jack (Mark Wahlberg), que sente ter fracassado no momento de proteger sua filha e decide começar a investigar os vizinhos para descobrir a verdade e dar à menina o descanso eterno.

No entanto, seu extremo envolvimento pessoal na investigação começa a acabar não só com sua saúde mental, mas com o resto da família, incapaz de deixar para trás o terrível fato.

Diante desta situação, o filme mostra como a jovem se vê obrigada a combater sua frustração inicial, sua solidão e um imenso desejo de vingança para que sua família possa seguir adiante.

Segundo o próprio Jackson disse à imprensa, este filme foi "o maior desafio" de sua carreira, já que o romance contém "uma mistura de gêneros que dificultam a criação de um filme que possa se encaixar dentro de um deles".

Apesar de sua grande dramaticidade - o filme começa com a frase "Me chamo Susie, tenho 14 anos e fui assassinada" -, "Um Olhar do Paraíso" também tem toques de humor, que ficam a cargo de Susan Sarandon, a particular avó de Susie que, carregada de álcool e tabaco, sai ao resgate da família nos momentos mais difíceis.

"Apesar de ser um desastre, é uma mulher pró-ativa que trata de dar o melhor de si", justificou Sarandon, que acrescentou, em tom jocoso: "Me senti em casa, interpretando cercada de bebida e cigarros".

Brincadeiras à parte, Peter Jackson quis deixar claro que a mensagem do filme "é eminentemente positiva, de amor, de gente que refaz sua vida após um evento traumático".

"O filme faz com que as pessoas se deem conta de quão sortudas são e lembra a rapidez com que a vida pode mudar", aponta o cineasta.

Para Sarandon, a história "ajuda a aceitar a mortalidade, a aceitar que é preciso deixar os jovens viverem sua vida e, a partir daí, confiar no universo".

Uma das partes mais originais e mais espetaculares do drama reside na representação do mundo depois da morte, um cenário eminentemente emocional que foi "extremamente difícil de recriar", segundo o diretor da trilogia "O Senhor dos Anéis".

Sem nenhuma referência religiosa, "se oferece uma visão que acomoda os pontos de vista de todo mundo, já que só há a referência a uma luz dourada na qual cada um pode ver o que quiser", diz um Jackson que não hesita em confessar que não segue nenhuma religião.

Apesar disso, o neozelandês diz crer em algum tipo de vida depois da morte e inclusive se aventura a confessar que teve experiências parapsicológicas em algum momento de sua vida.

"Não creio na religião, mas também não acredito que sejamos apenas células. Acho que há uma energia que não se destrói após a morte. Há 20 anos, eu mesmo vi a imagem de uma mulher enterrada em um apartamento de um amigo na Nova Zelândia, uma mulher que não estava ali", disse.

Assim, o que se vê é um Peter Jackson mais humano, que volta a comandar a adaptação de uma obra literária para o cinema depois da bem-sucedida saga de J.R.R. Tolkien, que lhe valeu o reconhecimento em nível mundial.

"Não sinto a pressão diante de cada novo filme. Faço filmes pessoais, que eu goste. Claro que tenho que pensar no público, seria utópico não fazê-lo, mas não deixo que me domine", afirmou o diretor.

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