Pesquisas contra obesidade investem na pílula antigordura

Na luta contra a obesidade, ao entender como funciona o apetite e o metabolismo, os cientistas esperam ganhar capacidade para detectar problemas, prever riscos, intervir e fazer ajustes onde necessário. A pergunta tentadora permanece: Será possível inventar uma pílula antigordura que realmente funciona, sem efeitos colaterais? Muitos cientistas e a indústria farmacêutica acreditam que sim, por isso investem na pílula que é o sonho de todo gordinho.

Agência Estado |

E, vários estudos feitos com ratos e camundongos já identificaram o processo biológico para controle a obesidade.

No Instituto de Química da Universidade de São Paulo, pesquisadores estão de olho nas mitocôndrias, as organelas que funcionam como baterias das células. É dentro delas que a energia contida nos alimentos é convertida em adenosina trifosfato (ATP), a molécula energética que o corpo usa para funcionar. E é a eficiência dessa conversão que determina o quanto da energia de um brigadeiro vai ser absorvida pelo organismo e o quanto vai ser simplesmente dissipada na forma de calor.

“Tem gente que come muito, mas engorda pouco, porque tem uma eficiência de conversão energética baixa”, diz a especialista Alicia Kowaltowski, chefe do laboratório que realiza a pesquisa. Se a eficiência é alta, ocorre o contrário: toda a energia dos alimentos é convertida em ATP, e o que não é usado na hora acaba convertido em gordura.

A equipe de Alicia mostrou que camundongos tratados com a droga dinitrofenol engordam menos e vivem mais do que camundongos não tratados, tendo a mesma quantidade de comida. O dinitrofenol, explica Alicia, causa um “curto-circuito” no sistema elétrico das mitocôndrias, impedindo a síntese de ATP. A droga já foi usada na década de 30 como remédio para emagrecer, mas causou mortes por erro de dosagem e acabou proibida. “Estamos estudando como promover o mesmo curto-circuito sem os efeitos negativos”, afirma Alicia. Nos camundongos, pelo menos, já funcionou.

Metabolismo

Em outra pesquisa brasileira, cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostraram como uma droga usada há décadas para controle de pressão sanguínea pode ser usada também para regular o metabolismo. Ratos tratados com a molécula enalapril e alimentados com uma dieta supercalórica engordaram muito menos do que ratos que não receberam o medicamento.

Os animais tratados comeram menos, gastaram mais energia e acumularam menos gordura do que os do grupo controle, segundo o cientista João Bosco Pesquero, que coordena a pesquisa. O medicamento (derivado décadas atrás de moléculas presentes no veneno da jararaca brasileira) inibe a síntese de uma molécula chamada angiotensina-2, que, entre outras coisas, comprime vasos sanguíneos e participa da diferenciação de células adiposas. Por isso, quando deixa de ser produzida, a pessoa emagrece.

AE

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