Pesquisadores dos EUA conseguem curar daltonismo em macacos

Pesquisadores norte-americanos conseguiram curar macacos que sofriam de daltonismo. O experimento demonstra o potencial da terapia gênica para resolver problemas de visão em indivíduos adultos.

Agência Estado |

Imaginava-se que só o cérebro de uma criança seria capaz de processar novos estímulos. O estudo, publicado na versão digital da "Nature", aponta que, pelo menos para cores, a premissa não é verdadeira.

Na maioria das vezes, o daltonismo dificulta a diferenciação do verde e do vermelho. O problema surge quando ocorre perda de pigmentos responsáveis pela percepção das cores no fundo da retina. Uma espécie amazônica de macaco - o mico-de-cheiro - serviu como cobaia na pesquisa. Os machos são todos daltônicos, enquanto as fêmeas veem as cores normalmente.

Os cientistas produziram vírus que carregavam o gene humano da opsina L - um dos pigmentos da retina responsável pela visão das cores, ausente nos macacos machos. Depois, injetaram cerca de 27 trilhões de vírus geneticamente modificados no globo ocular dos animais. Os microrganismos infectaram as células da retina e inseriram o gene humano, promovendo a produção do pigmento ausente. Os primatas recuperaram a visão das cores.

Para verificar o resultado, os cientistas utilizaram um teste semelhante ao aplicado em seres humanos: a apresentação de padrões gráficos que só podem ser reconhecidos quando a visão diferencia perfeitamente as cores. Os macacos curados identificavam os padrões e, como prêmio, recebiam suco.

“Ainda serão necessários vários anos para aplicar a técnica em humanos”, afirmou ao Estado a pesquisadora Katherine Mancuso, da Universidade de Washington, coautora do estudo. “Precisamos garantir a segurança do procedimento.”

Mas ela recorda que uma terapia semelhante está sendo testada em pessoas para tratar outro distúrbio da retina: a amaurose congênita de Leber, muito mais grave que o daltonismo, capaz de produzir cegueira. Por enquanto, os testes só demonstraram a segurança da técnica. Falta ainda comprovar sua eficácia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE

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