Um estudo descobriu que distúrbios cerebrais na vida adulta podem estar relacionados a pequenas convulsões causadas por fatores hereditários durante o início da infância. A pesquisa foi feita no Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), nos Estados Unidos, e publicada ontem, na revista Nature.

Durante os primeiros cinco anos de vida, o cérebro humano passa por importantes modificações em seus "circuitos". Segundo a pesquisa, uma forma hereditária de epilepsia no lobo temporal pode ocorrer nesse período, o que contribui para o desenvolvimento de episódios de convulsão para o resto da vida.

Os pesquisadores analisaram sinapses (as conexões entre células cerebrais). "No nascimento, o cérebro está carregado com sinapses excitatórias que ajudam a 'ligar' as células nervosas. Entretanto, se houver sinapses em excesso, elas podem crescer demais, o que desenvolve condições patológicas, incluindo problemas como dificuldades de aprendizagem, autismo e epilepsia", explicou Matthew Anderson, um dos líderes do estudo.

Os pesquisadores usaram camundongos modificados geneticamente e técnicas de análise de tecido cerebral por eletrofisiologia e observaram que uma forma mutante do gene LGI1 estava prejudicando o desenvolvimento normal do cérebro. "A primeira pista foi a descoberta de que o LGI1 não é expresso até o momento exato em que as sinapses excitatórias são amadurecidas. Em seguida, vimos que o gene estava proibindo essas sinapses de serem podadas adequadamente, levando a um aumento na excitabilidade dos circuitos cerebrais. Isso fez com que o cérebro ficasse suscetível a descargas síncronas excessivas, características da epilepsia”, disse Anderson. As informações são da Agência Fapesp.

AE

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