Pesquisadores descobrem antibióticos mais eficientes em ouriços do mar

Um grupo de cientistas da Universidade Católica de Brasília (UCB) encontrou no ouriço-do-mar um antibiótico que pode ajudar e muito no combate a infecções hospitalares. Uma proteína presente nos animais demonstrou maior capacidade de destruição das bactérias Escherichia coli, Salmonella, Proteus e Klebsiella ¿ bactérias responsáveis por causar infecções intestinais, renais e pulmonares.

Priscilla Borges, iG Brasília |

Há quatro anos o pesquisador Octávio Franco, do Centro de Ciências Genômicas e Biotecnologia da Católica, se dedica a buscar novos antibióticos para combater o que considera um dos piores problemas de saúde pública do país.

Nosso foco é encontrar novos antibióticos contra as infecções hospitalares. Por isso, fomos estudar animais e plantas que vivem em ambientes bastante agressivos, conta.

Ele lembra que o uso frequente de antibióticos pela população ¿ muitas vezes de forma errônea, sem seguir recomendações médicas ¿ tornou muitas bactérias resistentes aos medicamentos convencionais. O Centro de Ciências Genômicas e Biotecnologia trabalha para encontrar fármacos que utilizem princípios ativos diferentes dos tradicionais, em geral baseados em bactérias e fungos.

Segundo o pesquisador, no mar, animais e algas são alvos de inúmeros micro-organismos, especialmente bactérias e fungos. Para sobreviver, muitos deles desenvolveram excelentes estratégias de defesa, que podem, quem sabe, beneficiar os seres humanos. No início dos estudos, mais de 30 espécies de invertebrados marinhos foram analisadas. Foram os ouriços, porém, que apresentaram melhores resultados.

Os testes feitos em laboratório mostraram que, com uma concentração menor da proteína do ouriço, matamos mais bactérias, diz o pesquisador.

Se estudar um animal marinho não é uma tarefa fácil, para quem vive no Planalto Central a coleta do material para pesquisa é pior ainda. A solução encontrada pelo grupo foi buscar parceiros em Cuba e na Bahia. São pesquisadores desses locais que ajudam a equipe na coleta dos invertebrados. Para Octávio, o maior desafio, no entanto, é conseguir colocar o antibiótico no mercado. O composto identificado pelos pesquisadores da Católica já está em processo de patente. Mas a burocracia para que o número da patente seja liberado testa a paciência dos cientistas.

Podemos gastar uns cinco anos com esse processo. Depois, precisamos negociar a comercialização com alguma empresa, já que a universidade não vai produzir um fármaco. Nesse processo vão mais uns dois anos, critica o professor. O governo pede que os cientistas produzam soluções para problemas sociais, mas não quebra barreiras burocráticas para que elas saiam dos laboratórios, lamenta.

O cientista conta que, em 2003, solicitou patentes para outro antibiótico produzido pelo grupo. Até hoje, o processo está pendente.

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