Pesquisa tenta descobrir personagem mais importante da história da Rússia

Ignacio Ortega Moscou, 21 jul (EFE).- Como se o tempo não tivesse passado, a população da Rússia voltou a se deparar, nos últimos dias, com um questionamento recorrente na trajetória do país: qual é o russo mais importante da história? Uma enquete virtual, organizada pela rede de televisão pública Rossiya, vem envolvendo os internautas russos, que têm até setembro para escolher as 12 figuras mais representativas da história de seu país.

EFE |

Embora os organizadores tenham explicado que não se trata de um plebiscito, a participação está sendo muito ativa e quase três milhões de votos já foram registrados, no site www.nameofrussia.ru.

A enquete foi muito criticada pelo fato de que cada internauta pode votar quantas vezes quiser, o que anula seu possível valor histórico ou sociológico, já que os comunistas exortaram seus partidários a participar em massa.

Em todo caso, a enquete foi respaldada publicamente pelo Instituto de História da Rússia. Por sua parte, a Igreja Ortodoxa criticou o método escolhido, por ser similar ao utilizado em concursos como os de Miss Universo.

"É puro entretenimento, e não tem nenhum componente político", se defende Alexei Gólikov, diretor do projeto.

A princípio, o canal "Rossiya" encomendou uma pesquisa na qual os cidadãos deveriam escolher 50 personagens de uma lista de 500.

Nela só podiam figurar personalidades falecidas, motivo pelo qual não puderam ser incluídos o primeiro-ministro Vladimir Putin, o escritor Aleksandr Solzhenitsyn ou a dançarina Maya Plisetskaya.

O personagem mais importante da história da Rússia será eleito em debates televisivos a partir dos primeiros 12 nomes que liderarem a lista ao término da enquete virtual.

Desde o princípio, o último czar, Nicolau II, e o homem que dirigiu com mão de ferro o país durante um quarto de século (1929-53), Joseph Stalin, disputaram o primeiro lugar.

Como se tivessem levantado do túmulo, os dois líderes revivem na internet o antagonismo enfrentado por eles no início do século XX, quando Stalin lutava na clandestinidade contra a monarquia czarista e Nicolau II tentava aplacar os ânimos revolucionários do povo.

Às 9 horas de domingo (no horário local), o líder comunista vencia o imperador por 9.222 votos, diferença que aumenta com o passar das horas.

"Stalin representa a força do Estado, por isso continua sendo uma figura atrativa", assegura Aleksandr Projanov, escritor e diretor da revista "Zavtra".

Segundo uma enquete do centro "Levada", o número de russos que avalia positivamente o papel de Stalin, em cujo regime milhões de pessoas foram reprimidas, se reduziu desde a queda da URSS.

"Stalin matou tanta gente quanto Átila. Esta enquete é um sintoma muito perigoso", afirmou Ludmila Alexeyevna, chefe da filial russa do Grupo de Helsinque de direitos humanos.

O próprio Putin, que já qualificou a queda da URSS como a "maior catástrofe geopolítica do século XX", foi criticado por liderar uma "neosovietização" da sociedade russa.

Já a imagem de Nicolau II melhora com a passagem dos anos, especialmente desde que a Igreja o canonizou, junto à sua família, em 1998.

Exatamente nesta semana, os russos renderam tributo à família imperial no 90º aniversário de sua morte, o que encorajou muitos internautas a darem seus votos ao czar.

Com este aniversário, foram esquecidas por muitos as críticas de alguns historiadores que responsabilizam o czar pelo massacre de centenas de pessoas no chamado Domingo Sangrento, emoldurado na repressão ao chamado "ensaio geral da revolução", em 1905.

Nicolau II é considerado pelos historiadores um monarca fraco, vítima das extraordinárias circunstâncias que se conjugaram na Rússia no início do século XX.

Segundo a enquete virtual, os russos sentem nostalgia da Rússia imperial, admiram mais os personagens com poder do que os artistas e intelectuais, e sentem saudades dos tempos em que o mundo inteiro "tremia" perante o poderio militar da URSS.

Em terceiro lugar está outro personagem polêmico, Lenin, o fundador do Estado Soviético, com pouco mais de 200 mil votos; e o quarto é o cantor, poeta e ator Vladimir Vysotsky, falecido em 1980.

Outros personagens bem votados são Pedro I, o Grande, o czar que fundou São Petersburgo; o patriarca das letras russas, Aleksandr Pushkin e Ivan, o Terrível, o precursor do Estado russo.

Bem atrás figuram Yuri Gagarin, o primeiro cosmonauta da história, e o ex-presidente Boris Yeltsin. O escritor Fyodor Dostoyevsky recebeu apenas 20 mil votos, da mesma forma que o compositor Piotr Tchaikovsky. EFE io/bm/gs

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