Pesquisa sobre males do amianto tem verba do setor

Duas universidades públicas de São Paulo - Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - investigam a denúncia de conflito de interesse em uma pesquisa que está sendo feita para avaliar os efeitos da exposição de moradores de casas com cobertura de amianto e trabalhadores do setor à fibra. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) classificam o material como cancerígeno.

Agência Estado |

O estudo Asbestose Ambiental, desenvolvido por pneumologistas das duas universidades e um da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tem financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Brasileiro de Crisotila (IBC), que é ligado à indústria do amianto. O órgão público destinou R$ 1 milhão ao projeto e R$ 1 milhão é do IBC. O restante é financiado pelo governo de Goiás.

O financiamento chamou a atenção da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). “Jamais isso poderia acontecer, pois eles não declararam para as comissões de ética das universidades que a pesquisa receberia receitas do IBC”, afirma a presidente da Abrea e auditora fiscal do Ministério do Trabalho, Fernanda Giannasi. Segundo ela, o IBC tem interesses diretos nos resultados da pesquisa.

O IBC é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). A entidade pode articular acordos de cooperação com órgãos governamentais. A presidente-executiva do IBC, Marina Júlia de Aquino, afirma que como o financiamento era insuficiente, a entidade “se comprometeu a procurar órgãos do governo para disponibilizar verbas”. Marina diz que o Ministério Público do Estado foi convidado a acompanhar a pesquisa. “Não vejo possibilidade de conflito de interesses. Todos sabem que as verbas para pesquisas são insuficientes no Brasil e, como não foi possível obter financiamento do governo, o instituto fez o aporte.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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