Pesquisa revela que falta de vitamina A é maior no Sudeste

O maior índice do País de crianças com insuficiência de vitamina A, a hipovitaminose, está concentrado na região Sudeste: 21,6%. O número, apontado na Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS) e considerado grave pelos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), surpreendeu especialistas, que tradicionalmente esperam dados altos em regiões mais carentes, como o Nordeste.

Agência Estado |

Entre mulheres, o desempenho da região também foi o pior do Brasil. A prevalência da carência de vitamina A foi de 14%.

Na Região Norte, esse índice foi de 11,2%. A coordenadora de Política Nacional de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Ana Beatriz Vasconcellos, afirma que algumas ações simples podem ajudar a prevenir a anemia. Crianças que almoçam e jantam, por exemplo, têm menos risco de desenvolver a deficiência do que aquelas que substituem uma das refeições por lanche. O ideal, também, é incluir em uma das refeições alimentos naturais de cores amarela ou vermelha, como cenoura, abóbora, manga ou mamão.

Desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em 643 municípios de todas as regiões do País, o trabalho avaliou vários indicadores de saúde. Um dos capítulos, divulgado ontem, traz uma análise dos indicadores de anemia e deficiência de vitamina A em crianças de até 5 anos e mulheres em idade fértil (de 15 a 49 anos). Os resultados gerais mostram que esses dois problemas alcançaram a classificação moderada, de acordo com o padrão da OMS. Como é a primeira vez que pesquisa desse tipo é realizada, não há como fazer comparação com anos anteriores. A região com maior porcentual de anemia é a Nordeste: 25,5% das crianças e quase 40% das mulheres analisadas apresentam a deficiência.

Os números coletados serão agora estudados pelo Ministério da Saúde e usados para nortear políticas de prevenção dos dois problemas. Anemia (carência de ferro) e hipovitaminose A reduzem a capacidade de o organismo reagir a infecções, provoca problemas de desenvolvimento em crianças e, em casos mais graves, pode levar ao retardo mental e à cegueira. “As deficiências estão muito mais ligadas à pobreza na alimentação do que à fome”, diz Ana Beatriz.

Dieta

Tanto em mulheres quanto em crianças, a incidência de hipovitaminose foi maior nas áreas urbanas. No caso da anemia, a incidência entre crianças menores de 2 anos também foi maior nas cidades. Ana Beatriz afirma ser necessário um estudo para verificar as causas dessa diferença. “Mas provavelmente a dieta da população da área rural seja mais natural, com menos alimentos processados”, avalia. Beatriz não quis fazer nenhuma análise sobre o desempenho do Sudeste na pesquisa. “Somente um estudo mais aprofundado pode dizer as causas de a região apresentar altos índices de deficiência de vitamina A.”

Lígia Formenti

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