Pesquisa revela que dupla jornada piorou a saúde da mulher

Pesquisa da empresa SulAmérica, realizada com 12.215 associadas do País - sendo 75% delas moradoras de São Paulo e do Rio de Janeiro - revela que a dupla jornada de trabalho da mulher alterou o perfil da saúde feminina.

Agência Estado |

A metade está estressada e 7 em cada 10 não praticam nenhuma atividade física. O estudo mostra ainda uma escalada dos índices de colesterol, hipertensão, sedentarismo e obesidade, fatores de risco para doenças cardiovasculares, como enfartes.

Os dados, divulgados ontem, foram colhidos em 2007 entre funcionárias de empresas, inclusive as chefes de setor e executivas. Na comparação com os homens que desempenham as mesmas funções, elas estão em desvantagem na área da saúde preventiva. Entre eles, a parcela de estressados ficou em 28% e os que não fazem exercícios alcançaram a marca de 57,9%, 13,1 pontos a menos do que as mulheres.

“Uma das hipóteses para a diferença das estatísticas entre os homens e as mulheres é que elas foram inseridas no mercado de trabalho, mas ainda precisam cumprir as obrigações domésticas”, avalia uma das coordenadoras do estudo, Regina Mello, superintendente de serviços médicos da empresa.

“A necessidade de atender, com excelência o papel de mãe, esposa e profissional não só resulta em maior estresse, como acaba negligenciando o cuidado preventivo”, completa Regina ao confessar que faz parte desta turma de “mulheres modernas”. Aos 35 anos, ela dirige o setor da SulAmérica, acorda às 5h40, trabalha até as 19 horas, quase não tem tempo para seguir uma dieta saudável e ainda “comanda” todos os preparativos do seu casamento que acontece em 15 dias.

A ascensão profissional delas foi acompanhada na piora gradativa do quadro de saúde comparado às pesquisas anteriores. A prevalência de colesterol saltou 12 pontos, saindo de 14%, em 2004, para 26%. O sobrepeso também cresceu no período (27,1% para 35%), assim como a pressão alta: 13,6% contra 15,7%. Os indicadores de fatores de risco estão atrelado aos hábitos nada saudáveis. O número de mulheres fumantes subiu de 8,8% para 10,8% nos últimos dois anos, assim como a porcentagem de alcoólatras, de 0,5% para 1,1% entre as pesquisadas pela SulAmérica.

Vícios

“A mulher entrou para o mundo competitivo e adquiriu os vícios antes majoritariamente masculinos”, diz o presidente da Sociedade Paulista de Cardiologia, Ari Timerman, ao apontar o cigarro e a bebida como principais influentes do perfil atual de saúde da mulher moderna.

O reflexo do fumo e do alcoolismo estão expressados nas principais causa de morte entre as paulistanas. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que os primeiros lugares do ranking são ocupados pelas doenças isquêmicas do coração (12,4%), os AVCs (8,4%), que superam “adversários” importantes como os homicídios (4,4%) e os acidentes de trânsito (2,2%).

O alerta é que a população feminina inicia cedo o consumo dos produtos que tornam o coração verdadeiras “bombas relógio”. De acordo com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), enquanto 6,4% das moradoras de São Paulo entre 12 e 17 apresentam sinais de dependência do álcool, nos garotos de mesma idade o índice cai para 4,9%. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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