Pesquisa prevê que escolaridade de negros e brancos será igual em 17 anos

RIO DE JANEIRO - Estudo divulgado nesta quarta-feira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que as desigualdades entre negros e brancos no sistema de ensino diminuíram nos últimos anos. Os negros ainda estão acima da idade adequada ao período escolar em curso e, no ritmo atual, essa diferença só acabará em 2025.

Agência Brasil |

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De acordo com a pesquisa, entre 1995 e 2006 a taxa média de crescimento anual do número de anos na escola foi de 1,03 entre os brancos e de 1,06 entre os pretos e pardos.

Apesar do pequeno avanço, a população branca acima de 15 anos tinha oito anos de estudo, em 2006. O número representa todo o ensino fundamental. No mesmo período, os negros registram seis anos de estudo. 

O coordenador da pesquisa, Marcelo Paixão, destaca que o avanço da taxa média de anos na escola pode ser explicado pelo aumento inédito do contingente de pretos no ensino fundamental. No entanto, ele destaca que muitas pessoas entraram na escola em idade superior à adequada, ou seja, mais velhas do que o ideal.

A pesquisa também indica que  houve um aumento no número de alunos pretos e pardos nas universidades. No caso das instituições públicas, o pesquisador destaca a influência das ações afirmativas, como programa de cotas. Nos centros de ensino privados, o destaque é o Programa Universidade para Todos (ProUni), que destina bolsas de estudo a alunos carentes.

O estudo ressalta, no entanto, que entre os jovens brancos com idade de freqüentar o ensino superior, um em cada cinco estava em sala de aula, enquanto cerca de 90% dos pretos e pardos, fora dela.

O dado mostra o quanto temos que caminhar, afirma o professor ao defender a expansão do ensino superior para os negros, inclusive, na própria UFRJ, que resiste às cotas. "As políticas de expansão de vagas têm que dialogar com esses indicadores, senão a gente deixa essas desigualdades persistirem por muito tempo, especialmente aqui na UFRJ, criticou.

O levantamento coordenado pelo professor Marcelo Paixão foi elaborado com base em indicadores do governo federal. Foram utilizados dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de informações do Ministério da Educação e da Saúde.

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