A correria do dia-a-dia, a má alimentação e o sedentarismo são inimigos da boa saúde. E esses hábitos resultam em doenças digestivas que causam transtornos na vida de qualquer um.

Os problemas mais comuns foram pesquisados e resultaram no 'Mapa das Desordens e Doenças Digestivas', lançado em maio pela Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, que mostra a prevalência geográfica dos seis distúrbios gastrointestinais mais freqüentes em 50 países.

O primeiro deles é constipação intestinal, o popular intestino preguiçoso. Segundo Antônio Frederico Magalhães, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, responsável pela ação no Brasil, entre 15% e 30% da população mundial sofre com esse distúrbio. No País o mal afeta 35 milhões de indivíduos e a prevalência é maior nas regiões industrializadas. "As pessoas precisam ingerir mais fibras, frutas, verduras e tomar mais água", avisa.

Outro problema com dados alarmantes é a dispesia funcional. Trata-se de uma dor de estômago sem lesão anatômica. "É o que se chamava antigamente de gastrite nervosa", afirma Magnus de Oliveira Andrade, presidente da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia e Nutrição de Minas Gerais. "Este problema é provocado por influências emocionais e também pela má alimentação", completa Magalhães.

Os maus hábitos da vida moderna também ocasionam a Síndrome do Intestino Irritável ou a colite nervosa (que provoca dores abdominais e distensão abdominal por gases) e a Doença do Refluxo Gastroesofágico (o paciente sente queimação do estômago até a garganta. A prevalência da doença é entre 15% e 30%.

O mapa também apontou desarranjos provocados pela bactéria Helicobacter pylori, que provoca a infecção da mucosa gástrica. "Ela foi descoberta há 20 anos. É essa bactéria que provoca a gastrite e está presente em 50% da população mundial. Mas só 20% desses portadores vai desenvolver úlcera. Atualmente não se faz mais cirurgia para retirar úlcera como antigamente. Agora o paciente toma remédios que eliminam a bactéria e fica curado", enfatiza Magalhães.

A lista de doenças digestivas é finalizada com câncer de estômago e o colorretal, o terceiro tipo mais comum de câncer e o segundo mais relacionado com a mortalidade. A incidência dessa doença é 10 a 20 vezes maior em países do Hemisfério Norte (Estados Unidos e Europa Ocidental) do que no Hemisfério Sul (África e Índia), e mata 660 mil pessoas no mundo. "Por esse motivo é importante fazer exames rotineiros de colonoscopia a partir dos 60 anos. O câncer de intestino começa com um pólipo e leva dez anos para se desenvolver. Se descoberto logo no início, não evolui. Nos Estados Unidos é lei fazer esse exame", conta Magalhães.

No entanto, de acordo com Andrade, não são apenas os hábitos alimentares que precisam ser melhorados para se ter qualidade de vida. "É preciso dormir bem, praticar exercícios e sexo seguro. É um conjunto de atitudes que favorece a saúde do indivíduo", salienta.

Adriana Bifulco

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