Pesquisa indica que 17% dos médicos usam droga para ansiedade

Médicos são mais afetados pela ansiedade que o restante da população. E pela facilidade de acesso, fazem uso indiscriminado de medicamentos ansiolíticos.

Agência Estado |

Tudo isso interfere na relação com os pacientes. Esses são resultados de uma pesquisa realizada com profissionais de hospitais públicos de São Paulo. Os dados serão apresentados hoje no 1º. Congresso da Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas.

O trabalho apontou que dos entrevistados 60% tinham alta probabilidade de desenvolver transtornos como fobias, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e síndrome do pânico. Na população em geral, o percentual é de até 15%. “Esse valor elevado nos chamou muito a atenção”, disse o psiquiatra Thiago Marques Fidalgo, pesquisador do Programa de Orientação e Atendimento aos Dependentes, da Universidade de São Paulo (Unifesp).

Dos profissionais entrevistados, 17% admitiu já ter usado remédios para conter a ansiedade. “E com certeza não é uma prescrição adequada porque não foi feita por um outro profissional mediante uma avaliação mas por ele mesmo.” A soma da tendência à ansiedade com o uso inadequado de ansiolítico é um fator de risco para a dependência química.

Uma resposta dos médicos, todos clínicos gerais, não convenceu Thiago. Dos pesquisados, 67% disseram conhecer algum colega que faz uso de drogas. Entretanto, 96,14% garantiu não ter problema nesse sentido. “É muito provável que os médicos mentiram ao responder a questão já que 67% diz conhecer um colega nessa situação.”

A taxa de médicos com alta probabilidade de depressão foi de 11%, pouco acima das demais pessoas que fica entre 5% a 10%.

Exposição

Outro dado é que 88% dos clínicos ouvidos afirmaram que é difícil buscar ajuda profissional para resolver seus transtornos. Na opinião do pesquisador fica evidente o medo de exposição frente a outros colegas. “Durante seis anos somos educados para tratar do outro, depois na nossa carreira, cuidamos dos outros. É muito difícil mudar de posição é passar a ser cuidado.”

Nos médicos são mais acentuadas características como insegurança, baixa auto-estima e necessidade de reconhecimento. “Mostra fragilidade afetiva". Diante desses resultados, uma das propostas de Thiago é divulgar os serviços específicos de atendimento para os profissionais. Na pesquisa, 56% dos entrevistados desconheciam esse atendimento. A pesquisa ouviu 83 profissionais sendo a idade média 38 anos e 70% tinham mais de um emprego. As informações são do Jornal da Tarde .

Marici Capitelli

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