Pesquisa do Unicef mostra que faltam políticas para adolescentes em favelas

RIO DE JANEIRO - Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), realizada por jovens moradores de comunidades pobres, mostrou que existem poucas políticas públicas voltadas especificamente para crianças e adolescentes nas favelas do Rio de Janeiro.

Agência Brasil |

O trabalho foi coordenado pelo Centro de Promoção da Saúde (Cedaps), nas comunidades de Santa Cruz (zona oeste), Complexo do Alemão (zona norte), Copacabana e Leme (zona sul). A avaliação é do coordenador de projetos do Unicef no Rio, Jacques Schwarzstein.

Nós temos que ter políticas públicas específicas para eles, que precisam ser ouvidos e respeitados. Existem programas interessantes em todos os níveis de governo, mas muito pontualmente, sem a cobertura necessária, e que não chegam onde têm que chegar, justamente naqueles meninos e meninas que mais estão precisando, disse Schwarzstein.

Segundo o representante do Unicef, é preciso dar as mesmas oportunidades a crianças e jovens de todas as áreas, para que se desenvolvam em igualdade de condições.

É impensável viver em uma cidade onde haja crianças com oportunidades fantásticas de se desenvolver e outras que não conseguem ir à praia, que nunca foram ao cinema ou que não têm acesso à informação. A gente tem que investir nisso, porque é o futuro da cidade que está aí, afirmou.

A pesquisa somou 887 entrevistas, realizadas por jovens entre 14 e 17 anos de idade, e mostrou que entre as principais preocupações estão a violência e a gravidez na adolescência.

Outro dado indicou que em alguns lugares, como no Complexo do Alemão, 11,5% dos jovens estão fora da escola, comparado com 4,5% de Santa Cruz e 3,8% de Copacabana e Leme. Apesar disso, 64% consideram a escola que freqüentam como boa ou muito boa, contra 11% que classificam como ruim ou péssima.

Mas o estudo também mostrou que, apesar das dificuldades vividas nas favelas, a grande maioria dos jovens não pensa em se mudar e que a principal referência ainda é a família, principalmente a figura da mãe.

Uma carência revelada pela pesquisa é a falta de equipamentos de lazer nas comunidades pobres, como praças e quadras de esporte: 63% dos entrevistados disseram que a principal forma de lazer era ficar na rua ou nas esquinas. Por outro lado, 91% afirmaram que têm acesso à internet.

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