Pesquisa da USP consegue eliminar parasita da doença de Chagas

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), câmpus de Ribeirão Preto, conseguiu praticamente eliminar os parasitas causadores do mal de Chagas do organismo de camundongos. A nova droga, denominada quinziane, eliminou entre 90% e 100% dos parasitas, até mesmo na fase crônica, e manteve todas as cobaias vivas.

Agência Estado |

Também houve redução do avanço da moléstia e da inflamação no coração dos animais.

Na pesquisa, o medicamento existente hoje para o tratamento do mal de Chagas, o benznidazol, foi associado a um composto de óxido nítrico, sintetizado no Laboratório de Imunologia da Faculdade de Medicina por Roberto Santana da Silva. Agora, a meta é registrar a patente do novo medicamento e continuar os estudos, para tentar colocar o novo produto no mercado em um prazo de dez anos.

Segundo o biólogo Paulo da Matta Guedes, um dos responsáveis pela pesquisa, o benznidazol tem um nível alto de toxicidade e é eficaz nas pessoas que recebem a medicação até quatro meses após serem infectadas. As características antichagásicas do óxido nítrico já tinham sido descritas por Douglas Franco, do Instituto de Química da USP de São Carlos. Assim, surgiu a idéia de associá-los. Os testes com o quinziane mostraram que 100% das células infectadas dos camundongos foram “mortas”.

O objetivo inicial da pesquisa de Guedes, que começou há três anos, era compreender por que algumas pessoas portadoras da doença desenvolvem lesões cardíacas e outras não para tentar melhorar a qualidade de vida delas e buscar um tratamento alternativo que garantisse a estabilização. Há cerca de oito meses é que o estudo passou a trabalhar com o novo medicamento.

Tratamento

Hoje, o mal de Chagas só tem tratamento quando é descoberto e medicado nos primeiros meses. “Cerca de 70% das pessoas infectadas não morrem por causa da doença, mas por outras causas. No entanto, o mal de Chagas provoca deficiência cardíaca na pessoa infectada, que passa a não ter mais uma vida normal”, afirma Guedes.

“Criamos uma possibilidade de estabilizar a doença e até conseguir uma regressão”, completa. A pesquisa está avançada, mas ainda necessita de testes de viabilidade, como verificar se não provoca tumores e se não há efeitos tóxicos na associação dos compostos para ser aplicada em humanos. As pesquisas do laboratório do professor Santana da Silva, que envolvem o uso do óxido nítrico no tratamento do mal de Chagas, já deram origem a três pedidos de patente (outros fármacos tiveram menos efeito). As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

AE

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG