Equipe da Fundação Nacional do Índio distribuiu alerta informando que foi cercada por traficantes peruanos

Uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atua na fronteira do Acre com o Peru distribuiu um alerta informando que está cercada por traficantes peruanos armados que invadiram a base da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, em Igarapé Xinane, no Acre, em julho. Segundo Carlos Travassos, coordenador-geral de Índios Isolados e Recente Contato da Funai, no sábado foi encontrado um acampamento no outro lado do Igarapé, onde havia um colchão, sacos de açúcar, uma mochila com cascas de cartuchos roubados da base e um pedaço de flecha.

"Estamos em uma situação um tanto complicada por aqui. Tivemos uma invasão na região do rio Envira por narcotraficantes peruanos. A polícia e o exército foram acionados porém se retiraram após a prisão do traficante que só foi encontrado porque o rastreamos. Tem muitos deles aqui em volta da base. Decidimos voltar para cá por acreditarmos que esses caras possam estar realizando um massacre com os (índios) isolados. Espreitamos um dos acampamentos que fizeram próximo da base. Pegamos uma mochila que estava lá. Havia um pedaço de flecha de um dos grupos de índios isolados aqui da região", afirmou Travassos ao iG por email.

A Diretoria de Proteção da Funai, informada, encaminhou ofícios ao Ministério da Justiça para chamar a atenção. Ontem, um helicóptero do governo do Acre chegou à base com uma equipe de seis policiais para dar segurança para a equipe da Frente de Proteção. Na última quinta-feira, uma equipe da Polícia Federal retirou todos da base, mas o grupo de quatro ou cinco funcionários da Funai retornou ao local. A fronteira entre Brasil e Peru abriga a maior população de indígenas em isolamento na Amazônia.

“A flecha é como a carteira de identidade dos isolados. Achamos que os peruanos fizeram correria (sic) de índios. Temos agora uma prova cabal. Estamos mais preocupados do que nunca. Esta situação pode ser um dos maiores golpes já visto nos trabalhos de proteção dos isolados das últimas décadas. Uma catástrofe da nossa sociedade. Genocídio!”, diz Travassos. Ele afirma que os peruanos estão distribuídos em três locais diferentes. “São pelo menos três grupos de cinco, seis pessoas. Ao redor da base, há caminhos grandes com pisadas recentes”.

A possível invasão já tinha sido mencionada em um alerta feito no dia 11 de julho por indígenas Ashaninka, que moram na aldeia Simpatia, a três horas de barco da base Envira. Uma semana depois, comandos do Estado do Acre e do Exército executaram várias operações na região.

Assim que os indígenas Ashaninka divulgaram a presença dos estranhos, iniciou-se uma operação do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenadoria de Aviação Operacional (CAOP) na área, com o apoio logístico do Estado e do Exército.

No dia 3 de agosto foi preso um narcotraficante português, Joaquim Antônio Custódio Fadista, que já havia sido capturado e extraditado para o Peru. Ele conseguiu retornar à Base do Xinane atrás da uma mochila, supostamente com drogas.

Com AE

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