Perto de mil horas de voo, buscas por AF 447 não avistam corpos

SÃO PAULO (Reuters) - Pelo terceiro dia seguido sem avistar corpos, a Força Aérea Brasileira (FAB) disse nesta segunda-feira que está prestes a completar mil horas de voo nas buscas por corpos e destroços do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio com 228 pessoas a bordo. Aeronáutica e Marinha informaram em comunicado que na segunda-feira foram avistados destroços a cerca de 950 quilômetros de Fernando de Noronha, em área próxima a materiais encontrados anteriormente.

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"Provavelmente amanhã estaremos completando mil horas de voo em missões de busca", disse em entrevista coletiva no Recife o tenente coronel Henry Munhoz, assessor de comunicação da Aeronáutica.

Ele acrescentou que, para efeito de comparação, a missão no Estado de Santa Catarina, vítima de enchentes no ano passado consumiu cerca de 460 horas de voo. A varredura por radar corresponde, segundo o militar, a cinco vezes ao Estado de São Paulo e a dez vezes o de Pernambuco.

As equipes que trabalham nas buscas já recolheram 49 corpos de vítimas do acidente com o Airbus A330 que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris. O último dia de resgate de corpos ocorreu na sexta-feira pela Marinha francesa, que os transferiu para a fragata Bosísio, do Brasil. Na manhã de terça-feira esses corpos chegarão a Fernando de Noronha, segundo nota da Marinha e Aeronáutica.

No fim de semana não foram avistados nem corpos nem destroços devido às condições do tempo ruim na região.

"O tempo não tem contribuído...a tendência é de melhora, mas nossos meteorologistas tem ressaltado que trata-se de um local com muita instabilidade", afirmou o tenente coronel.

Mesmo com as condições desfavoráveis, as buscas vão continuar por tempo "indeterminado", segundo a autoridade da FAB. Ele disse que a partir do dia 17 haverá, a cada dois dias, uma análise dos trabalhos.

No momento, atuam diretamente nas buscas mais de mil militares brasileiros, sendo 761 da Marinha e 250 da Aeronáutica.

A investigação do acidente é responsabilidade da França, que ajuda nas buscas.

Nesta segunda-feira, o sindicado nacional dos pilotos franceses disse que todos os sensores de velocidade da frota de aviões Airbus A330 e A340 da Air France foram substituídos após a tragédia do voo AF 447.

Segundo especialistas, os sensores de velocidade, chamados tubos pitot, poderiam ter papel importante na queda do avião. As últimas mensagens automáticas enviadas pelo Airbus A330 antes da queda mostraram que os sensores tinham repassado informações inconsistentes sobre a velocidade da aeronave.

(Por Tatiana Ramil, com reportagem de Gérard Bon em Paris)

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