Pernambuco parece o Haiti, diz bombeiro

Mais de 40 pessoas morreram e milhares estão desabrigadas por conta das chuvas em Alagoas e Pernambuco

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

As chuvas dos últimos dias que destruíram casas, hospitais e comércios e provocaram a morte de 12 pessoas em Pernambuco dão ao coronel Valdir de Oliveira, do Corpo de Bombeiros do Estado, a sensação de que por ali passou um terremoto. “As cenas que você vê são iguais àquelas do Haiti na TV”, afirma, em referência ao terremoto de 7 graus na escala Ricther que provocou a morte de mais de 200 mil pessoas e desvatou o País mais pobre das Américas em 12 de janeiro deste ano.

AE
Em Pernambuco, em meio a entulhos e lama, moradores calculam prejuízos e tentam recuperar o pouco que restou

A comparação – exagerada aos olhos de quem não foi afetado pelas enchentes – é o jeito encontrado pelo coronel para dimensionar a destruição observada no Estado. “Por onde o rio passou caiu tudo. Só há lama”, diz. Segundo ele, a pior situação é vista nas cidades de Barreiros e Palmares, que foram atingidas pelo transbordamento do rio Una. Além delas, outras cinco cidades decretaram estado de calamidade pública.

O último balanço da Defesa Civil aponta que há 24.331 pessoas desalojadas e morando temporariamente na casa de amigos e parentes. Pelo menos outras 17.719 estão desabrigadas, sem ter para onde ir, e precisam da ajuda do Governo. “As pessoas perderam tudo, algumas só ficaram com a roupa do corpo”, afirma.

De acordo com Oliveira, todo o efetivo do Corpo de Bombeiros, formado por 2.350 pessoas, está nas ruas desde quinta-feira, dia 17, quando teve início os temporais. Ainda assim, a equipe é insuficente para ajudar tantas vítimas. O jeito foi aiconar quem ainda nem se formou. “Tem uma escola com 400 soldados que já estão trabalhando no socorro”, diz.

O coronel Oliveira afirma ainda que a força devastadora do rio danificou pontes e invadiu hospitais. O Hospital Municipal de Barreiros foi improvisado em uma escola, onde hoje macas dividem espaços com lousas. A Aeronáutica enviou, nesta manhã, um Hospital de Campanha ao município.

Além do atendimento emergencial à população, a preocupação dos Bombeiros é evitar que doenças causadas pela chuva, como a leptospirose, se propaguem. Conforme Oliveira, oficiais da Corporação foram enviados às cidades mais atingidas para coordenar o trabalho da Defesa Civil de distribuição de donativos, limpeza de vias e atendimento aos desabrigados. A prioridade também é restabelecer energia elétrica e enviar água às vítimas por meio de caminhões pipa. “É uma operação de guerra”, afirma.

Alagoas

Operação de “guerra” também é realizada no Estado de Alagoas, onde, segundo a Defesa Civil, 500 bombeiros estão envolvidos nos trabalhos de resgate. Eles contam com o auxílio de 200 militares do Exército e aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). O caos deixado pelas chuvas no Estado, que já mataram mais de 25 pessoas, fez com que policiais de outros Estados também fossem chamados para auxiliar na busca por sobreviventes. Pelos menos 600 pessoas seguem desaparecidas.

De acordo com a Defesa Civil, 5 militares do Rio de Janeiro e outros 13 de Sergipe estão em Alagoas, com três cães farejadores. Na quarta-feira, está prevista a chegada de mais 30 bombeiros de São Paulo, com mais três cães.

Doação

O coronel Oliveira afirma que o Corpo de Bombeiros abriu postos de arrecadação e enfatiza a necessidade de doação às vítimas. Segundo ele, são necessários, principalmente, alimentos não perecíveis e de rápido consumo, como leite e biscoitos, materiais de limpeza e higiene pessoal, colchões e cobertores. Saiba aqui como doar

FGTS

O presidente Lula avisou na segunda-feira que quer a mesma rapidez que houve no atendimento aos atingidos no Rio de Janeiro e Santa Catarina para os que estão em situação precária no Nordeste. Disse ainda que vai liberar o Fundo Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para quem tiver e quiser o fundo como forma de ajuda na recuperação das perdas.

*Com informações da Agência Estado


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