Permanência dos militares significa perda de autoridade, diz César Maia

RIO DE JANEIRO ¿ O prefeito César Maia, em nota divulgada em seu ex-blog, voltou a criticar a presença do Exército no Morro da Providência, no Centro do Rio, e a atuação do senador e candidato Marcelo Crivella nas obras do programa Cimento Social, que prevê a reforma de fachas e telhados de barracos da comunidade. Maia disse que a permanência dos militares significaria uma ¿perda de autoridade do Exército.¿

Redação |

Na nota intitulada Porque o Exército deve sair do Morro da Providência, Maia diz que a razão de fundo para a permanência do Exército não tem a ver com o programa Cimento Social, projeto que denominou como eleitoral e que os militares deixaram de exercer funções subsidiárias, de apoio às obras de construção civil, e passaram a atuar como segurança institucional na comunidade.

A saída do exército de lá não significa perda de autoridade. A permanência dele sim, significa perda de autoridade. Ou assume uma função policial e varre dali o tráfico de drogas, ou pára de fazer coreografia confundindo os moradores sobre as razões de estar lá com o Comando Vermelho pintando e bordando e mantendo as aparências -em casos de proximidade- quanto a ostensividade, disse.

O prefeito comentou que, durante toda a permanência do Exército no Morro da Providência, o tráfico de drogas não parou. O Comando Vermelho continuou atuando no morro, guardando apenas a ostensividade quando perto de soldados. Na parte de baixo do morro, o tráfico de drogas continuava a correr solto, criticou.

Função policial

De acordo com Maia, no começo da participação das tropas como apoio ao Cimento Social, os soldados foram usados para as pequenas obras de pintura, dentro de um programa tradicional do Exército, que já foi feito em várias comunidades do Rio, em geral em programas de saúde.

 Progressivamente, trabalhadores foram assumindo as funções e o Exército ficou dando cobertura. Neste momento estavam - na percepção dos moradores- cumprindo uma função policial. Assim eram percebidos. Só podia dar no que deu! É tempo de reconhecer o erro e sair! Enquanto é tempo!, defendeu o prefeito, que também aproveitou para criticar o bispo-senador Marcelo Crivella.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, três militares teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. O comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos, mas um tenente teria levado os jovens ao Morro da Mineira, na zona norte, para "dar um corretivo neles". 

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes a Associação Amigos dos Amigos (ADA), rival a do Morro da Providência (Comando Vermelho), e os rapazes foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Na última segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

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