SÃO PAULO - Os peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil iniciaram, por volta das 9h20 desta sexta-feira, a vistoria do local onde houve uma explosão na tarde desta quinta-feira em Santo André, no ABC paulista. Às 10h30 o trabalho havia terminado no epicentro. Até o início da tarde desta sexta-feira, os peritos ainda analisavam o entorno da explosão.

Duas pessoas morreram e 12 sofreram ferimentos leves, depois do acidente em uma loja de fogos de artifício, que destruiu um quarteirão na Vila Pires, bairro de classe média do município.

Alessandro Valle/ Futura Press
Peritos fazem vistoria nesta sexta-feira no local destruído por explosão

Os técnicos procuraram provas do que pode ter causado a explosão no local. Depois da perícia da polícia no epicentro, os agentes da Defesa Civil realizaram a análise das residências atingidas pelo acidente.

Até esta manhã, 30 casas haviam sido desocupadas por medida de segurança. A Defesa Civil pretende, até o fim da tarde desta sexta-feira, decidir quais delas precisarão ser interditadas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os trabalhos de busca por possíveis desaparecidos foram encerrados na noite de quinta-feira.

De acordo com o delegado-titular do 3º Distrito Policial de Santo André, Alberto José Mesquita Alves, o proprietário do local, Sandro Luiz Castellani, e sua mulher continuam desaparecidos. As diligências para tentar localizar os donos do comércio de fogos de artifício continuam, segundo a polícia. Eles não podem ser considerados foragidos pois ainda não há mandado de prisão expedido.

AE
Bombeiros trabalham no local da explosão na quinta-feira

Alvará

O dono da loja que explodiu na tarde de quinta-feira em Santo André, no ABC paulista, tinha autorização da Polícia Civil para comercializar fogos de artifício, conforme a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Mesmo assim, a polícia vai investigar se houve algum tipo de negligência por parte dos donos no caso do acidente. 

Segundo a Secretaria de Comunicação, a loja não tinha alvará da Prefeitura de Santo André para a venda de fogos de artifício. A prefeitura informou em nota que o comércio de fogos de artifício na cidade é regido pela lei municipal 6.633/90, que determina que a venda do produto deve ser no varejo e permite o comércio por 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias.

De acordo com o órgão, em 7 de maio de 2009, o responsável pelo local entrou com um pedido para venda de fogos de artifício no varejo. No dia 23 de junho, a prefeitura comunicou ao interessado que este precisava apresentar um novo Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento necessário para conseguir o alvará de funcionamento, tendo em vista que o vencimento deste foi em 16 de junho.

Segundo a SSP, os bombeiros deram atestado de vistoria a Castellani em 12 de julho de 2009, mas, como o dono da loja não teria apresentado o novo AVCB, o pedido para a venda de fogos de artifício foi negado pela prefeitura no último dia 14, sendo comunicado ao solicitante no último dia 16.

"Enviamos dois comunicados solicitando o laudo dos bombeiros. A loja
tinha alvará para comércio, mas para fogos, não", disse o secretario de Habitação, Frederico Muraru Filho. "A cidade é grande. Por isso, damos prioridade na fiscalização de onde há denúncia, e que eu saiba, não houve denúncia neste local".

A explosão

A explosão aconteceu minutos antes de os bombeiros serem acionados, às 12h45. O Comandante dos Bombeiros do Estado de São Paulo, Luis Alberto Navarro, afirmou que no estabelecimento havia muita pólvora e que a partir do centro da explosão, duas quadras foram atingidas.

O Corpo de Bombeiros cercou quatro quarteirões em torno da rua em que aconteceu o acidente - rua Américo Guazzelli, próxima ao Estádio Bruno José Daniel. 

Cerca de 70 agentes da Guarda Municipal de Santo André trabalharam no local do acidente junto com outros 35 profissionais da Defesa Civil, 30 do Serviço de Saneamento Ambiental, além de 12 viaturas do Samu, 20 agentes de trânsito e cães farejadores.

Morreram no acidente Ana Maria de Oliveira Martins, de 58 anos,   empregada da família de Sandro Luiz Castellani, dono do local, e o primo de Sandro, Denian Castellani, de 41 anos. Outras 12 pessoas ficaram feridas. O corpo de Ana Maria foi velado desde a noite de quinta e enterrado nesta sexta-feira, no Cemitério da Vila Curuçá, em Santo André, localizado na rua Coreia.

O Centro Hospitalar Municipal informou nesta sexta que Sônia Maria Castellani, de 63 anos, levada ao local devido a um problema de arritmia cardíaca e com queimadura superficial no globo ocular direito após a explosão, está com quadro estável e já teve alta.

O outro paciente, Wagner Jesus Montari, de 48 anos, também apresenta quadro estável, porém permanece no Centro Hospitalar para observação, ainda sem previsão de alta.

Logo após a explosão, a assessoria de imprensa do Gabinete da Prefeitura de Santo André chegou a informar, erroneamente, que 11 pessoas teriam morrido. Minutos depois, recuou e disse que não daria novas informações devido aos equívocos anteriores.

" Parecia o fim do mundo"

Sônia, de 55 anos, que mora a cerca de 600 metros do local, contou ter ouvido "uma explosão atrás da outra". "Ouvi um barulho muito forte, olhei pela janela e vi fogo. Parecia o fim do mundo", afirmou ela, que, assustada, se escondeu atrás da parede do corredor de sua casa. "A redondeza está horrível, tem gente correndo, chorando", afirmou.

Uma internauta do Último Segundo , que mora em Santo André, a aproximadamente sete quilômetros do local, disse que ouviu o barulho de casa. Pensamos que tinha caído um avião. Foi um barulho muito forte , disse Raquel.

Outro leitor disse que "o cheiro de pólvora era muito forte" e mandou fotos da fumaça .

O guarda municipal Antônio Scaramel afirmou que sua irmã, dona de uma corretora de seguros localizada na esquina da rua Américo Guazzelli, relatou que o barulho foi assustador. "Pensei que fosse um avião que tivesse caído", disse.

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