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Periferia de Salvador teme nova guerra do tráfico

Uma semana após o início dos ataques de criminosos a bases da Polícia Militar e a ônibus da cidade, Salvador viveu clima de aparente tranquilidade nesta segunda-feira. Apesar disso, moradores de bairros periféricos se dizem temerosos de que a cidade repita os confrontos entre traficantes, na guerra pelos pontos de vendas de drogas, como ocorreu em 2008.

Agência Estado |

Em junho do ano passado, a transferência do então considerado líder do tráfico de drogas da capital baiana, Genilson Lino da Silva, conhecido como Perna, da Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Catanduvas (PR) causou uma série de chacinas relacionadas à disputa pelos pontos de venda de entorpecentes na cidade.

Em três semanas, 19 pessoas foram assassinadas e houve constantes toques de recolher. Os confrontos, segundo a polícia, fizeram com que o grupo conhecido como Comissão da Paz (CP), liderado por Cláudio Eduardo Campanha, assumisse o tráfico em Salvador.

No último dia 4, Campanha foi transferido para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS), o que causou, segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, a série de ataques que deixou dez módulos policiais e 14 ônibus danificados na cidade desde a última segunda-feira.

Cinco policiais e oito civis ficaram feridos nos ataques, nenhum com risco de morte. Treze suspeitos de participarem das ações de vandalismo foram mortos pela polícia e 19, presos.

Por causa dos ataques, a SSP ampliou as transferências: mandou 14 acusados de pertencer ao segundo escalão do CP para Catanduvas. Outros sete, menos influentes, foram enviados para o Presídio de Serrinha (BA), onde celulares não têm sinal.

AE
Ônibus queimado na manhã desta terça-feira na Bahia

Ônibus queimado na manhã na última terça-feira na Bahia

"Temos certeza que desestruturamos essa quadrilha", comemora o secretário de Segurança Pública, César Nunes. "O que se viu na cidade foi o efeito colateral do remédio que estamos aplicando contra as principais quadrilhas do Estado", complementa o secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado, Nelson Pellegrino.

O clima nos bairros periféricos da cidade, ao contrário do que as celebrações oficiais levam a crer, é de tensão. "O inferno vai começar é agora", prevê o comerciante Antonio Santana, de 44 anos, dono de um mercado na entrada do bairro de Nordeste de Amaralina. "Os bandidos invadem a ladeira (que dá acesso ao bairro) já atirando, invadem casas até achar quem eles querem e matam. Depois, a polícia vem atrás deles e invade mais casas. Os que sobrevivem no bando mandam a gente fechar a porta. Fica insuportável."

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