Pequim critica leilão de relíquias chinesas de YSL

Autoridades culturais chinesas expressaram sua indignação com a venda de dois tesouros de seu patrimônio histórico, em um leilão em Paris da coleção de arte do falecido rei da moda Yves Saint Laurent, informou a imprensa oficial da China, neste sábado.

AFP |

As peças, esculturas de animais que, durante séculos, decoraram o Antigo Palácio de Verão de Pequim, poderão conseguir até 12 milhões de dólares cada uma no leilão parisiense, informou o jornal "China Daily".

As esculturas, uma cabeça de coelho e outra, de rato, de cerca de 35 cm, foram alvo de pilhagem, quando as forças francesas e britânicas destruíram o famoso complexo de palácios e jardins, em 1860. As autoridades chinesas já solicitaram a devolução das peças, diversas vezes, sem sucesso.

"Estamos tomando medidas para tentar trazer as duas peças de volta para a China", declarou ao jornal o subdiretor do Fundo Chinês de Recuperação de Relíquias Culturais Perdidas, Niu Xianfeng.

Niu Xianfeng disse que o órgão tentou recuperar as peças em 2003 e em 2004, mas foi informado de que teria de pagar 10 milhões de dólares por cada uma delas.

"Achamos que o preço proposto não é razoável, nem aceitável", comentou.

O governo chinês está decidido a não participar do leilão, organizado pela Christie's e programado para fevereiro, apesar de seu grande interesse em recuperar as esculturas.

"Sempre mantivemos a mesma postura no que diz respeito a relíquias culturais perdidas no estrangeiro", explicou Song Xinchao, um alto funcionário da Administração Estatal do Legado Cultural.

"Não vamos comprar algo que já nos pertence", justificou.

O leilão de fevereiro, em Paris, incluirá cerca de 700 obras de arte colecionadas ao longo de mais de quatro décadas pelo estilista francês Yves Saint Laurent, que morreu em junho passado, e por seu companheiro, Pierre Bergé.

Especialistas do mercado de arte estão chamando esse leilão de "venda do século", com a expectativa de arrecadar pelo menos 500 milhões de dólares.

kma/tt

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