Pelo menos 23 ficam feridos após choques entre policiais militares e civis em SP

SÃO PAULO - Pelo menos 23 pessoas ficaram feridas no choque entre policiais militares e civis, na tarde desta quinta-feira em São Paulo, durante o protesto dos policiais civis, que estão em greve há um mês. O confronto ocorreu quando os agentes tentaram furar o bloqueio dos militares, que tentavam impedir a aproximação dos manifestantes ao Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista. Os policiais decidiram manter a paralisação.

Redação com agências |

Treze vítimas foram encaminhadas para o pronto-socorro do Hospital Albert Einstein. De acordo com um boletim da assessoria do hospital, o quadro de saúde dos pacientes é estável. Outras cinco pessoas seguiram para o Hospital São Luiz. Uma delas apresentou fratura exposta na mão direita, outra teve queimaduras de 3° grau na região abdominal.

No Hospital Itacolomy, no bairro do Butantã, estiveram cinco feridos e todos já foram liberados. Uma das vítimas, segundo o Palácio dos Bandeirantes, é um coronel que chefiava as negociações.

A tropa de choque utilizou bombas de gás para dispersar os manifestantes. Como resposta, os policiais civis avançaram sobre os militares, gerando uma grande confusão em todo o entorno do Palácio dos Bandeirantes.

Uma resolução da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) proíbe manifestações populares nas vias públicas nos arredores do Palácio dos Bandeirantes por ser uma área considerada de segurança.

A concentração dos manifestantes começou na Praça Jules Rimet, em frente ao Estádio do Morumbi. O ato, organizado por sindicatos e associações de policiais, tem o objetivo de pressionar o governador José Serra (PSDB) a abrir as negociações com a categoria.

De acordo com a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), por volta das 13h30, a passeata dos policiais civis deixou a Avenida Giovanni Gronchi com tráfego lento. No mesmo horário, o acesso aos hospitais Albert Einstein e São Luiz ficou prejudicado.  

Um mês de greve

A greve da Polícia Civil completou um mês nesta quarta-feira sem acordo entre a categoria e o governo. A negociação emperrou no índice de reajuste dos salários. Os policiais reivindicam, no mínimo, dois dígitos de aumento, mas o governo oferece 6,2%.

Será a quarta mobilização da categoria, que já fez três passeatas até a Secretaria da Segurança Pública, a Assembléia Legislativa e a Secretaria de Gestão Pública.

"A greve continua com a mesma força. No interior, a adesão é ainda maior. Na capital, a maior parte dos distritos policiais está em funcionamento padrão. Alguns distritos, por serem seccionais, como o de Santa Ifigênia, Pinheiros e Sacomã, continuam com o atendimento normal", afirma Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo.

Na semana passada, a categoria suspendeu a greve por 48 horas, na tentativa de dialogar com o governo. "Mas não recebemos nenhuma proposta concreta. O governo continua intransigente", diz Roque. Ele esteve ontem em Brasília para conseguir o apoio de deputados federais e senadores para que as negociações com o governo sejam retomadas e nova proposta seja feita.

A Secretaria de Gestão Pública reafirmou, por nota, as propostas à categoria. O governo propõe aumento linear de 6,2% a policiais civis da ativa, aposentados e pensionistas; aposentadoria especial; reestruturação das carreiras com a eliminação da 5ª classe e a transformação da 4ª classe em estágio probatório; e a fixação de intervalos salariais de 10,5% entre as classes.

O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, José Leal, contesta a secretaria. "O governo não procurou os policiais para discutir a questão da reestruturação. E nem tocou no assunto da incorporação dos adicionais no salário da aposentaria", diz.

Segundo ele, os profissionais perdem a remuneração adicional quando se aposentam. O governo ofereceu a extinção do nível mais baixo da gratificação de localidade e informou que a incorporação nos salários das gratificações significaria um gasto de R$ 1,8 bilhão por ano. Mas o maior motivo de desacordo ainda é o índice de reajuste. Os policiais já chegaram a pedir 15% para este ano e 12% para os dois anos seguintes.

* Com informações da Agência Estado

Leia mais sobre: greve

    Leia tudo sobre: greve

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG