Pecuaristas recusam plano do frigorífico Independência

Numa reunião tensa, em Brasília, pecuaristas credores do frigorífico Independência recusaram o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa e exigiram o pagamento de 100% dos débitos sem parcelamentos. Não aceitamos o plano de recuperação apresentado pela empresa e queremos que os débitos sejam corrigidos a partir da data de abate dos animais, afirmou o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.

Agência Estado |

Ele ressaltou que a CNA não tem procuração para representar os pecuaristas que venderam animais para o frigorífico e que ficaram sem receber. Na semana passada, os pecuaristas organizaram uma comissão com credores dos cinco Estados (RO, MT, MS, GO e MG) nos quais o Independência mantinha unidades de produção e ainda existem débitos a serem pagos.

Nogueira explicou que os pecuaristas também exigiram da empresa o pagamento das parcelas "sem condicionantes" na reunião de hoje. "O pecuarista entregou os animais e não pode aceitar, por parte da empresa, a imposição de condicionantes para pagamento dos débitos", disse. Outra exigência é a apresentação de garantias de pagamento por parte da empresa que será criada a partir do processo de recuperação judicial do Independência. Na reunião, segundo representantes dos pecuaristas, a empresa insistiu em seu plano de recuperação.

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), os produtores não aceitaram a proposta de limitar o pagamento imediato para os pecuaristas que possuem até R$ 80 mil a receber e vincular esse pagamento ao aporte de R$ 300 milhões que ainda será obtido no mercado. "Não tem conversa. Fizemos uma reunião prévia e mostramos que estamos unidos para defender a contraproposta", contou Nogueira.

Representantes do frigorífico não se manifestaram sobre a reunião, mas disseram aos pecuaristas que vão apresentar a proposta dos pecuaristas aos envolvidos no processo de recuperação, de acordo com Nogueira. Uma resposta será dada aos integrantes da comissão na próxima terça-feira (dia 11).

A sugestão dos pecuaristas é que o teto proposto pelo Independência seja elevado para, pelo menos, R$ 150 mil, o que elevaria de 62% para 90% o universo de pecuaristas que receberiam o que devem de forma imediata.

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