Pecuária causa metade das emissões de CO2 do país, diz estudo

SÃO PAULO (Reuters) - A pecuária, uma das vilãs do desmatamento na Amazônia, é responsável por metade dos gases-estufa emitidos pelo Brasil, apontou estudo divulgado nesta quinta-feira e que será apresentado na cúpula do clima da ONU em Copenhague. Um dia após o governo iniciar a vigilância por satélite das criações de gado na floresta amazônica, a pesquisa apontou que a maior contribuição às emissões da pecuária se deve ao desmatamento para novas pastagens na Amazônia.

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"A agropecuária está no centro das mudanças ambientais globais tanto por sua contribuição para as emissões como pelo fato de que uma das formas mais significativas de como a mudança climática global afetará a economia é através de seus efeitos na agricultura", afirmou em nota Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília, coordenadora da pesquisa

Os pesquisadores analisaram as três principais fontes de emissão de CO2 da pecuária: desmatamento para formação de pastagem, queimadas de pastagem e fermentação entérica do gado.

Das 200 milhões de cabeças de gado do país, mais de uma por habitante, um terço está na Amazônia.

O estudo indicou que a atividade pecuária na Amazônia e no Cerrado foi responsável pela emissão de entre 813 milhões e 1,09 bilhão de toneladas de CO2 entre 2003 e 2008. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil emitiu 2,2 bilhões de toneladas de gases-estufa em 2005.

As ações do governo brasileiro em proteger a floresta amazônica estão sob olhares atentos de chefes de Estado que participam da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre clima em Copenhague, na Dinamarca, onde o estudo será apresentado.

Em novembro, o Brasil comprometeu-se em reduzir em 36,1 por cento a 38,9 por cento suas emissões de gases-estufa até 2020 e prometeu reduzir em 80 por cento o desmatamento da Amazônia no mesmo período. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, esta taxa representa uma redução de cerca de 580 milhões de toneladas de CO2.

"O Brasil deve caminhar para uma agricultura integrada ao ambiente tropical, científica e tecnológica que, ao mesmo tempo em que aumenta sua eficiência, diminui seu impacto ambiental, inclusive quanto às emissões", afirmou o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe).

Participaram do estudo 10 cientistas brasileiros, com a participação de profissionais do Inpe, da Embrapa, da UnB e da Universidade Federal de Goiás.

(Por Hugo Bachega)

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