Sogra confessa a jornal ter mandado matar alemã, mas depois volta atrás

Delma Freire afirmou à Folha de Pernambuco que planejou o crime junto com o irmão Dinarte Dantas

Renata Baptista, iG Pernambuco |

Após o adiamento do julgamento do assassinato da alemã Jennifer Marion Kloker, que seria realizado na terça-feira, em São Lourenço da Mata (região metropolitana do Recife), uma das acusadas - Delma Freire, sogra de Jennifer - confessou em entrevista ao jornal "Folha de Pernambuco" ter sido a mandante do crime.

AE
Acusada de ser a mentora intelectual do assassinato, Delma Freire foi encaminhada para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (24/05)
O novo tribunal do júri, que está marcado para os dias 27 e 28 de julho, vai julgar, além de Delma, Pablo Tonelli, então marido da vítima, Ferdinando Tonelli, sogro dela, e Alexsandro Neves dos Santos - que teria sido o autor dos disparos a mando dos familiares da vítima.

Delma Freire era a única que negava veementemente a participação no homicídio, que aconteceu em 16 de fevereiro de 2010. O corpo da jovem, que tinha 22 anos, foi encontrado pela polícia com três tiros no tórax às margens da BR-408, em São Lourenço da Mata (região metropolitana do Recife). A família morava na Itália e estava no Recife para passar o carnaval.

De acordo com a entrevista à "Folha de Pernambuco" na terça-feira, momentos após o julgamento, Delma afirmou que planejou o crime junto com o irmão Dinarte Dantas - que também será julgado por ter fornecido a arma usada no crime e é o único dos acusados em liberdade. Ela disse que o filho e marido não sabiam de nada e que ela planejou matar a nora com medo que ela levasse o neto, que tinha três anos na época do crime, de volta para a Alemanha.

Motivação

Delma afirmou ainda que desde a primeira vez que viu a nora "percebeu que ela não era a pessoa certa para o filho" dela. "Ela morava lá [na Itália] com um marroquino e vivia praticamente presa em um quarto de hotel para ter relações sexuais com esse marroquino e usar drogas. Ela veio da Alemanha fugida, cartão de crédito, roubo, briga, por tudo", afirmou. Segundo Delma, as brigas com Pablo começaram quando ele descobriu que estava sendo traído. A partir daí, surgiram comentários de que Jennifer queria voltar para a Alemanha com o filho do casal.

Segundo ela, todo o crime foi acertado pelo irmão, que já "era do crime". Delma garantiu que não sabia do seguro de vida no valor de cerca de R$ 1,5 milhão feito em nome de Jennifer por Ferdinando, que o colocava como beneficiário em caso de morte.

Reprodução/TV Jornal
A alemã Jennifer Marion Nadja Kloker, assassinada em 2010
Negativa

O advogado de defesa de Delma, José Carlos Penha, afirmou que a confissão na participação do crime de sua cliente à "Folha de Pernambuco" não foi válida pois ela estava "descontrolada emocionalmente, sob efeito de medicação e sofrendo coação por parte da filha, Roberta Freire".

Penha disse ainda que na manhã desta quarta-feira, ela voltou a afirmar que não participou de crime.

Adiamento

O tribunal do júri foi adiado a pedido da promotoria, após a defesa de Delma ter solicitado a realização de um exame de sanidade mental na acusada. A solicitação foi acatada pelo juiz Djaci Salustiano, que a dispensou do julgamento. A defesa apresentou um documento italiano que consta nos autos, dando conta que a acusada sofre de distúrbio bipolar com episódios depressivos correntes. A promotoria, então, solicitou o adiamento para que o tribunal do júri fosse realizado junto aos outros acusados.

Os réus são acusados de formação de quadrilha e homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e uso de recurso que tornou impossível a defesa da vítima). O grau de parentesco e a convivência entre a vítima e três dos três acusados - Pablo, Delma e Ferdinando - são circunstâncias agravantes.

Delma Freire ainda será julgada pelo crime de fraude processual, sob a acusação de ter tentado modificar os rumos da investigação ao indicar um falso autor do assassinato. Na época, um homem se apresentou à polícia afirmando que foi procurado por Delma para assumir a autoria do crime em troca da quantia de R$ 20 mil. Ele afirmou ter sido orientado por ela e seu então advogado, Célio Avelino.

O caso

Após o crime, os familiares de Jennifer prestaram queixa, alegando que o grupo havia sido assaltado quando ia ao Terminal Integrado de Passageiros por dois homens em motocicletas. Eles afirmaram ainda que a alemã foi levada pelos supostos assaltantes porque estava muito nervosa e gritava muito. O corpo dela foi encontrado no dia seguinte.

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