Simulado contra desastres tem falha no Recife

Alerta à população para que deixasse suas casas, que seria feito via celular, não funcionou e prejudicou o teste

AE |

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Apenas 27 das 40 famílias cadastradas no Córrego do Sargento, na Linha do Tiro, zona norte do Recife, participaram, na manhã deste sábado, de todas as etapas previstas no Simulado de Preparação para Desastres. A iniciativa é da Secretaria Nacional da Defesa Civil e visa preparar moradores de áreas de risco para enfrentarem situações de emergência. O alerta à população para que deixasse suas casas, que seria feito via celular, não funcionou e prejudicou o teste.

No momento do simulado - realizado simultaneamente em Maceió (AL) e Salvador (BA) - havia mais pessoas de instituições governamentais, como defesas civis municipal, estadual e nacional, bombeiros, guarda municipal, assistentes sociais, do que famílias para serem retiradas.

O secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, reconheceu falha no alerta via celular assim como a dificuldade de mobilizar a população, mas avaliou de forma positiva o primeiro simulado do País. "O bom, o importante é começar", afirmou ele, ao destacar que todas as falhas e acertos registrados serão discutidos e corrigidos e servirão de base para a formulação de um modelo nacional a ser adotado como referência no País.

O objetivo, segundo ele, é evitar mortes em casos de desastres naturais, numa ação preventiva que envolve instituições governamentais e população. "É um processo que estamos construindo, este é o primeiro, o piloto", afirmou. A defesa civil municipal (Codecir) explicou que nem todas as 50 famílias cadastradas puderam ir até o local do abrigo, mas todas elas foram retiradas das suas casas em 20 minutos - tempo inferior ao previsto.

O Córrego do Sargento foi escolhido por ser área de morro vulnerável a deslizamentos de barreira no período chuvoso. No ano passado, cinco pessoas de uma mesma família morreram soterradas sob escombros no local.

Taiana Andrade Souza, que perdeu a mãe e três irmãos na tragédia, participou do simulado até a etapa final, indo nos ônibus escalados para um abrigo no bairro da Imbiribeira, onde foram realizadas palestras. "É válido o que estão fazendo, se minha mãe tivesse sido alertada não teria morrido". Ao seu lado, Maria Prudentina, 69 anos, questionou: "simulado não resolve nada". Ela disse estar aperreada com infiltração de água na encosta da sua casa. "Já cansei de avisar a prefeitura, nem durmo quando chove, mas ninguém faz nada".

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