Pernambuco começa a liberar corpos do IML de Recife

Corpos foram transferidos para hospital universitário após Conselho Regional de Medicina interditar instituto

Renata Baptista, iG Pernambuco |

Desde que a transferência de cerca de 40 corpos que estavam no Instituto Médico Legal (IML) de Recife para o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, começou, na sexta-feira, alguns deles passaram a ser entregues aos familiares, que ainda reclamam da lentidão do serviço.

Somente no sábado e no domingo foram realizadas 28 necropsias. Deste total, 10 corpos foram liberados e 18 estavam aguardando os familiares comparecerem ao SVO, que fica na Cidade Universitária.

Nesta segunda-feira, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, instalou um contêiner climatizado com 25 metros na área de estacionamento do SVO, além de dois banheiros químicos. O objetivo é acomodar as pessoas que estejam aguardando a liberação dos corpos de parentes.

Após as inúmeras reclamações de famílias que afirmavam não ter condições financeiras e emocionais de irem ao local para aguardar a liberação dos corpos, o governo também disponibilizou assistentes sociais e psicólogos para conversar com elas.

Também serão oferecidos serviços de transporte, alimentação e hospedagem para as pessoas que necessitem deste suporte. Vai ser dada prioridade às famílias do interior, considerando a dificuldade maior que elas enfrentam para aguardar a liberação de corpos.

Os familiares, no entanto, demonstram cansaço e indignação. Muitos deixaram de ir ao local diariamente por acreditarem que o processo pode ser ainda mais penoso. Alguns esperam por até 10 dias pela liberação.

Uma mulher, identificada como Eliane, chegou a afirmar que para ela não importa ter cadeira ou ar condicionado. "O que eu quero é o corpo do meu filho", afirmou.

Nova vistoria

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), que na semana passada interditou a prática de autópsias no IML do Recife por falta de estrutura adequada, voltou ao local hoje para uma nova inspeção.

A Secretaria de Defesa Social afirmou que está realizando obras no instituto para que ele se adeque às determinações da entidade e para que os corpos voltem a ser necropsiados lá.

O Cremepe, em nota, afirmou que na vistoria foram constatadas algumas melhorias, mas que nem tudo está concluído, por isso, há uma nova inspeção agendada para a próxima segunda-feira.

Inadequação

Como as instalações do SVO não são suficientes para atender a demanda do IML, o governo do Estado alugou dois caminhões frigoríficos para guardar os corpos que ainda não passaram por necrópsia.

A crise no IML foi deflagrada no último dia 11, quando os médicos legistas deram início a uma operação-padrão para protestar contra as más condições de trabalho e a decisão do governo de reduzir a carga horária da categoria - que implica em redução de salário.

Para o presidente da Associação Pernambucana dos Médicos Legistas (Apemol), Carlos Medeiros, a estrutura física no SVO é insuficiente para dar conta da demanda e, por isso, está acontecendo uma diminuição no número de corpos liberados. Segundo Medeiros, a solução para o problema é acelerar a reforma no prédio do IML. "Queremos uma solução para resolver, de imediato, o transtorno e o sofrimento das famílias", disse Medeiros.

O IML do Recife recebe, diariamente, cerca de 20 corpos por dia para serem examinados.

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