Treze mil pessoas confirmaram presença na manifestação pela revitalização do bairro Recife Antigo, mas cerca de 200 compareceram

selo

Treze mil pessoas confirmaram presença, via rede social Facebook, na Caminhada pela Salvação do Recife Antigo, realizada na tarde deste domingo. Cerca de 200, de acordo com a Polícia Militar, participaram da manifestação, que reclama um plano de revitalização do bairro onde nasceu o Recife - um dos seus principais cartões postais.

"O bairro não tem segurança, está mal iluminado, não tem incentivo à cultura e virou ponto de tráfico de drogas", resume a estudante de publicidade Jéssika Portela, frequentadora da área. Foi dela a iniciativa de criar o movimento pela "salvação" do bairro, depois de ter sido assaltada por quatro crianças armadas com faca, no local, em agosto do ano passado.

"Procurei uma viatura policial para denunciar o furto e não encontrei", diz. Revoltada, dividiu sua preocupação e frustração na rede social. Em seguida, lançou o manifesto, encampado por muito mais gente do que ela poderia supor.

"Me assustei com a proporção e repercussão", afirma Jessika, que dividiu a organização do evento com outros jovens que conheceu na rede social. Sobre a pequena participação real, na caminhada, ela disse ser este "só o começo". O próximo passo será entregar um abaixo assinado na prefeitura do Recife. Ela confia na transformação do bairro: "somos voz de muita gente, de vários segmentos".

Donos de bares e restaurantes da Rua da Moeda, no bairro, prestigiaram o evento e divulgaram sua própria iniciativa: promover "um abraço" à Rua da Moeda, com data ainda não definida. Reunidos em uma associação recém-criada, eles reforçam a cobrança de repressão ao tráfico de drogas na área, mais segurança e iluminação.

A médica Carla Carvalho estava desapontada com a pouca participação. "Temos que apoiar de fato, não apenas virtualmente", pregou. "A beleza deste lugar merece ser desfrutada de noite e de dia".

O Recife Antigo ressurgiu com força turística e empresarial nos anos 90, quando por decisão do poder público em parceria com a iniciativa privada, antigos casarões foram recuperados e empresários passaram a investir no local, com abertura de bares, boates, galerias de arte e muita efervescência cultural e de lazer. Um shopping também foi construído no local que tem entre suas principais edificações a sinagoga Zur Kahal Israel, a mais antiga das Américas, a Torre Mallakof, a Antiga Bolsa de Valores - transformada em centro cultural -, o marco zero da cidade.

Com mudanças na política, o bairro deixou de ser menina dos olhos do poder público e só revive seu tempo áureo no carnaval, quando é um dos polos da folia. Para o psicólogo Estácio Lucena, que acompanhou a marcha, a decadência do Recife Antigo só não é maior devido às empresas localizadas na área, a exemplo do Porto Digital e do centro de compras Paço Alfândega. "É lamentável, este bairro é motivo de orgulho do pernambucano", pondera, ao lembrar o ambiente de alegria que reinava nas noites do Recife Antigo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.