Júri sobre o assassinato da turista alemã Jennifer Kloker é adiado

Delma Freire, acusada de ser a mentora da execução, disse que estava passando mal

Renata Baptista, iG Pernambuco |

Reprodução/TV Jornal
A alemã Jennifer Marion Nadja Kloker, assassinada em 2010
O júri de quatro dos cinco acusados pelo assassinato da alemã Jennifer Marion Nadja Kloker, que aconteceria nesta terça-feira em São Lourenço da Mata (região metropolitana de Recife), foi adiado para os dias 27 e 28 de julho.

Pablo Tonelli, então marido da vítima, Ferdinando Tonelli e Delma Freire, sogro e sogra dela, além de Alexsandro Neves dos Santos - que teria sido o autor dos disparos a mando dos familiares da vítima - serão julgados pelo homicídio.

O adiamento foi decidido pouco mais de uma hora após o início do julgamento. A defesa de Delma solicitou a realização de um exame de sanidade mental na acusada, que foi acatada pelo juiz Djaci Salustiano, que a dispensou do julgamento. Ela será levada ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), em Itamaracá, para ser submetida ao exame. A defesa apresentou um documento italiano que consta nos autos, dando conta que a acusada sofre de distúrbio bipolar com episódios depressivos correntes.

A promotoria, então, solicitou o adiamento para que o tribunal do júri fosse realizado junto com os outros acusados.

Delma

Quando a defesa de Pablo e Ferdinando Tonelli pediu o relaxamento da prisão dos acusados, Delma - que seria a mandante do crime - afirmou estar passando mal, tendo sido atendida por um posto de enfermaria do fórum. Sua pressão arterial e nível de glicose, no entanto, estavam normais.

De acordo com o promotor André Rabelo, Delma foi a única dos acusados a negar participação no crime.

Os réus são acusados de formação de quadrilha e homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e uso de recurso que tornou impossível a defesa da vítima). O grau de parentesco e a convivência entre a vítima e três dos três acusados - Pablo, Delma e Ferdinando - agravam o crime.

Delma Freire ainda será julgada pelo crime de fraude processual, sob a acusação de ter tentado modificar os rumos da investigação ao indicar um falso autor do assassinato. Na época, um homem se apresentou à polícia afirmando que foi procurado por Delma para assumir a autoria do crime em troca da quantia de R$ 20 mil. Ele afirmou ter sido orientado por ela e seu advogado, Célio Avelino.

O quinto acusado pelo assassinato é Dinarte Dantas, irmão de Delma. Ele é acusado de fornecer a arma do crime e terá um julgamento à parte. Ele é o único a estar em liberdade, por ter colaborado com as investigações. A promotoria solicitou, nesta terça-feira, a prisão dele, que foi negada pelo juiz.

AE
Acusada de ser a mentora intelectual do assassinato da alemã Jennifer Kloker, Delma Freire foi encaminhada para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico
O caso

Jennifer tinha 22 anos quando foi morta, em 16 de fevereiro de 2010. Seu corpo foi encontrado pela polícia com três tiros no tórax às margens da BR-408, em São Lourenço da Mata (região metropolitana do Recife).

Os familiares dela haviam prestado queixa, afirmando que ela fora vítima de um sequestro seguido de um assalto. Em depoimento, eles disseram que a alemã foi levada pelos supostos assaltantes porque estava muito nervosa e gritava muito.

A família morava na Itália com o filho do casal - que tem quatro anos e está vivendo na Itália com a irmã de Pablo - e estava no Recife para passar o carnaval. De acordo com a investigação da Polícia Civil, o crime foi articulado por Delma e tinha como principal motivação o pagamento de um seguro de vida em nome dela feito por Ferdinando Tonelli no valor equivalente a R$ 1,5 milhão.

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