Boleiros de fim de semana se "profissionalizam" no Recife

Grupo de preparadores físicos dos grandes clubes de Pernambuco oferece treinamento para quem quer jogar sem se machucar

Renata Baptista, iG Pernambuco |

É difícil encontrar o homem que não gosta de bater uma bolinha, nem que seja apenas aos fins de semana. Com o passar do tempo, porém, a barriguinha cultivada por anos de cervejas e sofá tornam mais difícil chegar na bola sem se machucar gravemente. Assim, muitos preferem se acomodar: futebol, só na TV.

No Recife, no entanto, um grupo de "jogadores de fim de semana" resolveu não cair na cilada e levar a pelada mais a sério, com o auxílio de profissionais que atuam nos clubes pernambucanos.

Renata Baptista/iG
Boleiro faz treino físico nas areias de Recife

O grupo do "Boleiro Pró" tem treinado cerca de 35 peladeiros com idades entre 14 e 64 anos. De acordo com o preparador físico Guilherme Ferreira, que trabalha no tradicional Sport Club Recife e já passou pelo Náutico e Santa Cruz , o primeiro passo é submeter os candidatos a testes de aptidão física e exames cardiológicos. Só depois é que eles vão para as aulas, com turmas de, no máximo, 10 alunos, para que os treinos tenham direcionamento individual.

Os treinos têm uma hora de duração e acontecem duas vezes por semana. Os alunos recifenses podem optar por treinar na areia da praia de Boa Viagem (na altura do posto 7) ou no Parque da Jaqueira.

Até mesmo profissionais, que atuaram nos campos, se valem dos serviços dos profissionais da pelada. O lateral esquerdo Marquinhos, de 33 anos, que hoje está no Santa Cruz e já passou pelo Resende (RJ), passou um mês com a equipe.

Segundo o atleta, quando iniciou o trabalho no Santa Cruz, não teve tempo de fazer treinos para recuperar massa muscular ou perder gordura, problemas comuns a quem passa muito tempo sem treinar em clubes. "Por causa dos treinos, eu estava no peso e forte. Fiz um trabalho muito legal com o pessoal", disse Marquinhos.

Sem rivalidade na pelada

Além de Ferreira, a equipe do "Boleiros Pró" conta ainda com os preparadores físicos Jaiton Cintra (Santa Cruz), Edvaldo "Tacão" Júnior (Sport), Fernando Galvão (ex-Sport e ex-Santa Cruz) e Luciano Veloso Filho (Santa Cruz e ex-Náutico).

E como o peladeiro tem tratamento profissional, conta ainda com o apoio dos fisiologistas Inaldo Freire (Sport) e Cléber Queiroga (Náutico), do fisioterapeuta do Sport Ernesto Baroni e da nutricionista Rita de Cássia, também do rubronegro.

Os treinos são voltados para melhorar o condicionamento físico dos atletas. Ferreira disse que costuma observar pessoas se exercitando de forma errada, o que provoca baixo rendimento ou até mesmo lesões, por isso teve a ideia de "profissionalizar" os treinos.

"Não ensinamos a jogar futebol. O que fazemos é trabalhar o condicionamento. Costumo dizer que, se você não sabe jogar, pelo menos vai conseguir correr mais", afirmou Ferreira, cauteloso, declarando que não faz milagres. Afinal, Pelé não ficou famoso pelo condicionamento físico.

O administrador Pedro Peixoto, de 36 anos, disse que os treinos, além de melhorar seu condicionamento físico, serviram também para o fortalecimento muscular - mas com prazer, porque ele conseguiu isso fazendo futebol, o esporte do qual mais gosta.

Após cada treino, é feito um bate-bola entre a turma, como forma de exercício. Para os atletas de fim de semana, deve pairar a pergunta: "E a cervejinha que acompanha a pelada?", ao que é prontamente respondida por Ferreira. Segundo ele, uma vez por mês os peladeiros se reunem em um churrasco, onde bebem suas cervejinhas. E, claro, jogam pelada.

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