Avião que caiu é o mais seguro da classe em produção, diz fabricante

Apesar do alto índice de acidentes, LET-410 tem menos acidentes que modelos da mesma categoria

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

TViG
Avião LET-410, instantes após a queda, quarta-feira, em Pernambuco
O representante no Brasil da empresa tcheca Aircraft Industries, Mário Moreira, afirmou que o avião LET-410, mesmo modelo que caiu quarta-feira (13) no Recife, é o mais seguro entre 11 aeronaves da categoria ainda em fabricação no mundo.

Reportagem do iG mostrou que um de cada dez aviões do modelo , que começou a voar em 1969, já sofreu acidentes. Em 2011, este foi o terceiro acidente com mortes – 14 em Honduras, dois no Congo, e 16 no Brasil –, totalizando desde janeiro 32 mortos.

De acordo com Mário Moreira, o LET-410 é o terceiro com menor índice de acidentes da classe, mas os dois que estão à sua frente – Beechcraft 1900 e BA Jestream 31 – pararam a produção. “O LET é o mais seguro ainda em fabricação”, afirmou.

Moreira enviou tabela comparativa ao iG da Aircraft Industries, baseada na consultoria Aviation Safety Network, referência em estatísticas sobre acidentes aéreos. De acordo com a tabela, o LET, com 1138 unidades produzidas, sofreu 95 acidentes com destruição total – índice de 8,35% de acidentes por aeronave construída – e teve mortos em 48 deles. O Beechcraft e o BA tem percentuais inferiores, de 4,75% e 6,99%, respectivamente.

“É preciso se considerar que o LET voava inicialmente muito em condições extremas, em lugares muito frios, como na Sibéria, por exemplo”, disse Moreira.

AE
Bimotor pegou fogo e ficou destruído. Todas as pessoas a bordo morreram
Os demais são, pela ordem descrescente, o Cessna 208 Caravan 1 (10,13%), o Dornier Do-228 (11,79%), o Sweringen Metro (12,28%), o AN-28 (13,61%), o CASA-212 (16,53%), o Shorts SC-7Skyvan (16,54%), o Embraer 110 (o brasileiro Bandeirantes, 19,23%) e o DHC-6 Twin Otter (30,21%).

O Bandeirantes, brasileiro que voou pela primeira vez em 1968, tem a segunda pior performance em termos de segurança na categoria, e sua fabricação foi extinta em 1990.

Ex-piloto de caça e coronel –aviador da reserva da FAB (Força Aérea Brasileira), Mário Moreira disse ter sido o responsável por trazer o modelo para o País, na época na empresa aérea Team, da qual foi presidente. Ele aparece como sócio da Noar em documentos da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), em 2009, mas afirmou que não tem nenhuma relação societária formal com a empresa atualmente.

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