PDT deve cobrar explicações de Paulinho da Força

Integrantes da cúpula do PDT vão cobrar explicações do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, sobre as suspeitas da Polícia Federal de que seria um dos beneficiários do desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Incomodado com o silêncio do deputado, cujo nome é citado no relatório da Operação Santa Tereza, o senador Osmar Dias (PDT-PR) avisou que se os dirigentes do partido não pedirem esclarecimentos a Paulinho, ele próprio o fará.

Agência Estado |

"Tudo o que está divulgado sobre o envolvimento do Paulinho, e por ele ser uma liderança, traz desgastes para o partido, que até agora não tinha nenhum problema desse tipo", afirmou.

Ele lembrou que o PDT "passou ileso pelos escândalos do Mensalão e das ambulâncias" e que, portando, não pode ignorar o fato de Paulinho não ter se justificado até agora. "Como ele não nos procurou, vou pedir que se explique", disse. "Não podemos condená-lo previamente", frisou. "Mas isso causa um desgaste enorme para o partido e não pode ser ignorado". O líder do PDT no Senado, Jefferson Péres (AM), disse não ter dúvidas de que o deputado "está na obrigação de dar explicações", sob pena de comprometer a imagem do partido a ponto de suscitar suspeitas de que seria conivente com a corrupção.

Referindo-se a João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho, preso sob a acusação de integrar o esquema, Péres lembrou que ele foi indicado para o BNDES pela Força Sindical e, "portanto, por ele (Paulinho). E se isso não for bem explicado, com certeza compromete o partido", afirmou. Na avaliação do senador, o PDT não pode ter membros expressivos de seus quadros envolvidos, direta ou indiretamente, em fatos ilícitos. "Porque fica a imagem do acusado comprometida perante a sociedade e, se o partido não tomar nenhuma providências, é claro que parece estar conivente com isso", justificou.

Para o senador, a suspeita do envolvimento de um de seus deputados num desvio de dinheiro público ameaça uma das marcas do PDT, "a da lisura de seus membros". "Aliás, não é só o PDT, parece que o sistema partidário brasileiro está se degenerando", lamentou.

Defesa

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, saiu em defesa de Paulinho. Segundo o ministro, as informações que envolvem Paulinho são vagas. "Por enquanto eu não sei, só sei que há informações, investigações e possíveis telefonemas. Está tudo muito vago", disse o ministro, após cerimônia no Palácio do Planalto em comemoração ao Dia do Trabalho. "Eu até agora não vi denúncias contra o deputado Paulinho. Nós temos de saber se as denúncias apresentadas são reais e têm veracidade", disse. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que, por enquanto, não vai pedir à Corregedoria da Câmara investigação sobre a conduta do deputado do PDT. "Está tudo muito confuso ainda", disse.

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