PDT debate quem apóia na Câmara para influir em 2010

BRASÍLIA (Reuters) - Com o objetivo de aumentar o poder de influência do partido nas eleições de 2010, a bancada de deputados do PDT se reúne no dia 21 com a Executiva Nacional para definir quem apoiará para a presidência da Câmara. A eleição está marcada para o dia 2 de fevereiro.

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Integrante do chamado bloquinho, grupo parlamentar formado também por PSB, PCdoB, PMN e PRB, o PDT ajudou a lançar a candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Agora, no entanto, estuda apoiar Michel Temer (PMDB-SP) -- candidato que tem o suporte do PT e do Palácio do Planalto. Também disputam o cargo Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Se o partido desembarcar da candidatura de Rebelo, provavelmente também deixará o bloquinho.

"Acaba uma decisão amarrando a outra", afirmou a jornalistas o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, depois de participar da cerimônia de posse dos deputados que ocuparão as cadeiras dos parlamentares que renunciaram aos mandatos ao venceram as eleições municipais.

Segundo Lupi, o movimento deve ser feito porque Temer apresentou sua candidatura ao partido antes do que Rebelo. "Não está decidido ainda. Estou dando a minha opinião, mas acho que majoritariamente as pessoas pensam assim."

Mesmo em seu estilo discreto, Temer comemorou a adesão. "Todo e qualquer apoio é importantíssimo", disse, no mesmo evento.

Já Rebelo, que também participou da cerimônia, minimizou as declarações de Lupi. Para o deputado, assim como muitos pedetistas o apóiam, "é natural" que integrantes do partido aliado trabalhem para a candidatura de Temer. "Temos a imensa maioria da bancada do PDT", assegurou.

Rebelo lembrou ainda que sua candidatura foi lançada pelo presidente nacional em exercício do PDT, o deputado Vieira da Cunha (RS). "Não descobri ainda quem na bancada do PDT vota no Michel", provocou.

Para o deputado Mário Heringer (PDT-MG), que liderou o bloquinho até o fim do ano passado, os planos do partido em relação à sucessão presidencial influenciarão a decisão da bancada na Câmara.

"Esse é um pano de fundo. Não temos decisão nem de longe ainda (sobre quem apoiar em 2010), mas político trabalha que nem jogador de xadrez. Tem que ver uns dois ou três anos na frente", disse o deputado.

"A gente vai tentar se colocar na posição de participante e de ator, e não de platéia", destacou.

Segundo o parlamentar, alguns deputados do PDT acham que a legenda perdeu poder desde que o bloquinho foi formado, há cerca de dois anos. "O partido fica meio escondido atrás de um biombo," argumentou.

Além disso, contou, há um incômodo quanto ao funcionamento do bloco. "Ficou meio sem identidade, com umas divisões de liderança."

FRAGMENTAÇÃO

Um dos entusiastas do bloquinho, o vice-líder do governo, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), tem opinião oposta.

"Os nossos partidos separados ou cada um por si não demonstram qualquer possibilidade real de disputa de poder. Juntos, temos força", disse.

Para Albuquerque, os integrantes do partido também deveriam manter a unidade na eleição presidencial. O PSB conta com um dos potenciais candidatos à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Ciro Gomes (CE).

Como forma de tentar persuadir os aliados, Albuquerque disse que o bloquinho deve garantir a independência de cada um de seus partidos integrantes em questões pontuais como a eleição para a presidência da Câmara.

"O PDT não precisa sair do bloco para votar no Michel Temer, até porque os votos são secretos e individuais de cada deputado," argumentou. "Não temos que implodir um esforço de unidade política em razão desse processo."

Albuquerque também rebateu as críticas à dinâmica interna do bloco. "Na política, a gente tem que estar preparado para engolir sapo e para conviver. Se a gente não quer algo maior, aí não tem sentido ficar sofrendo."

O PSB indica o próximo líder do bloquinho, mas o partido ainda não definiu um nome.

(Reportagem de Fernando Exman)

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