Paulo Maluf e família devem devolver mais de R$ 300 milhões desviados de obras públicas

O Ministério Público do Estado de São Paulo, através da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, entrou com uma ação civil pública, no início da noite desta segunda-feira, contra o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf. Na ação, o ex-prefeito e os outros envolvidos devem devolver mais de R$ 300 milhões resultantes de superafaturamento de obras públicas, dinheiro ilegalmente enviado ao exterior, segundo o MP.

Redação |

A ação ainda é contra a mulher de Maluf, Sylvia; os filhos Flávio, Otávio, Lígia e Lina; a ex-nora Jacquelline de Lourdes Coutinho Torres, ex-esposa de Flávio; três empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, e a Eucatex, empresa da família Maluf. O dinheiro ilegal teria sido utilizado para a compra de ações da Eucatex, em um esquema fraudulento envolvendo doleiros e laranjas.

Mariana Maltoni

O documento que contém o processo tem 120 páginas e 277 volumes de documentos, totalizando cerca de 55 mil páginas que, segundo os promotores, comprovam o esquema, investigado pelo Ministério Público desde julho de 2001.

Segundo o MP, os registros mostram que, entre 1993 e 1998, o agora deputado federal Paulo Maluf desviou cerca de US$ 160 milhões dos cofres públicos municipais, por meio de superfaturamento de preços das obras da Avenida Água Espraiada (hoje Avenida Jornalista Roberto Marinho) e do Túnel Ayrton Senna, as duas realizadas quando Maluf era prefeito de São Paulo (1992-96). Segundo a promotoria, Maluf recebeu recursos indevidamente até dois anos depois de ter deixado o cargo.

Lavagem de dinheiro

A verba foi enviada para contas secretas no exterior, especialmente em bancos dos Estados Unidos, Suíça. Inglaterra, Ilhas Jersey, França e Luxemburgo, através de empresas controladas por familiares de Maluf.

De acordo com informações do MP, parte desse dinheiro retornou ao Brasil na forma de investimentos. Outros valores foram repatriados por meio de empréstimo, compra de valores mobiliários e pagamento de adiantamento a contrato de exportação, todos favorecendo a Eucatex. Essa operação movimentou mais de US$ 165 milhões, o correspondente a mais de R$ 310 milhões ao câmbio desta segunda-feira.

Segundo o MP, toda a movimentação do dinheiro foi rastreada com a colaboração de governos estrangeiros, por meio de cooperação jurídica internacional inaugurada com essa investigação.

As investigações do Ministério Público sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o ex-prefeito Paulo Maluf começaram em 2001, quando foi instaurado um inquérito civil.


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