O autor de best-sellers Paulo Coelho negou, em telefonema à Agência Estado , que tenha conversado mais cedo com a reportagem para falar da tentativa do PV em levá-lo para os quadros da legenda. Segundo o escritor, essa conversa com a reportagem da AE nunca existiu até mesmo porque política é um assunto que não está em sua pauta.

Ao saber do desejo do PV em ter o escritor em suas fileiras, a reportagem da AE telefonou hoje pela manhã para um assessor que se identificou como representante dele no País e disse que ele entraria em contato para a entrevista. Minutos depois, o repórter recebeu um telefonema com as declarações que julgou ser do escritor. No final da tarde de hoje, Paulo Coelho telefonou para a redação da AE a fim de esclarecer o fato e disse que não tem assessor de imprensa no País que fale em seu nome e que não concedeu nenhuma entrevista à Agência Estado hoje pela manhã.

O presidente nacional da legenda, o vereador José Luiz Penna (SP), vem apostando em nomes de popularidade reconhecida para receber dividendos eleitorais nas eleições 2010 e fortalecer o palanque da senadora Marina Silva (AC) à sucessão ao Palácio do Planalto.

O mago dos livros não é a primeira celebridade que o PV deseja ter em seus quadros. O partido - que em 23 anos de história vem a reboque de personalidades como o deputado federal e escritor Fernando Gabeira (RJ) e o ex-ministro e cantor Gilberto Gil (BA) - segue apostando na popularidade de famosos que rendam votos para a legenda nas urnas. Nomes como o do apresentador de TV, autor de livros de autoajuda e vereador, Gabriel Chalita (PSDB-SP), e do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, são alguns dos cotados.

A busca por celebridades é estratégia do PV para dar sustentação à candidatura de Marina Silva à disputa ao Palácio do Planalto em 2010. Ainda pouco conhecida pelo grande público, a senadora vai depender dos palanques estaduais para projetar-se na disputa eleitoral. Sem contar com nomes de peso, a sigla tem corrido atrás de figuras que compensem a falta de candidatos, ainda que os novos filiados não tenham afinidade com o programa da legenda.

"São famosos através dos quais a sigla pretende angariar votos, mesmo sem conhecimento da retórica partidária", avalia o cientista político Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente. "O que o PV está fazendo não é diferente do que os outros partidos fazem. Ganhar eleição tem sido o foco principal", completa. O cientista político ainda ressalta a contradição entre o novo projeto do PV para 2010 e suas articulações políticas. "É uma sigla que pretende acabar com o fisiologismo e investe em candidatos sem o mínimo de afinidade com a legenda", alfineta.

Chalita

O presidente nacional do PV confirmou que a legenda mantém diálogos desde o final de agosto com o vereador Gabriel Chalita (PSDB), o mais votado em São Paulo nas últimas eleições. Penna ressaltou que o vereador é um político forte e que o PV tem estrutura para realizar o sonho do tucano de ser candidato ao Senado Federal nas eleições gerais do ano que vem. "As portas do partido estão abertas para ele", frisou.

Na semana passada, Chalita confirmou que deixará o PSDB para concorrer ao Senado em 2010. O vereador disse que recebeu convite para se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e que tem mantido conversas também com o Partido Verde (PV). Em sua página do twitter, uma rede de microblogs, Chalita afirmou que ainda há tempo para se decidir, e que vai ouvir "pessoas de bem" antes de tomar a decisão entre as duas siglas.

Nos bastidores, comenta-se que o vereador já teria dado início ao processo de filiação ao PSB, legenda que ofereceu ao tucano o posto de candidato ao Senado. Penna não aposta na hipótese de Chalita já ter decidido engrossar as fileiras dos pessebistas e reafirma que as negociações entre o vereador e o Partido Verde estão abertas. "Estamos ainda em diálogo. Nada foi fechado", ressalta.

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