Paulo Coelho defende os livros digitais na Feira de Frankfurt

O escritor Paulo Coelho, convidado de honra da 60ª edição da Feira do Livro de Frankfurt, lamentou que os editores considerem a internet uma inimiga, durante a apresentação de novos ao apresentar os novos leitores de livros digitais.

AFP |

Segundo os organizadores do principal salão mundial da indústria editorial, que abriu suas portas nesta quarta-feira aos profissionais e receberá o grande público no próximo fim de semana, o faturamento das edições digitais superará em 2018 o do livro de papel.

Paulo Coelho está convencido das vantagens do livro digital.

"Em vez de ver os novos meios como novas oportunidades de mercado, os editores consideram a internet uma inimiga", lamentou o escritor, assegurando que disponibiliza seus livros on-line gratuitamente, pois isso não faz mais do que aumentar suas vendas.

"Quanto mais se dá, mais se recebe", afirmou o autor brasileiro, que já vendeu cerca de 100 milhões de livros no mundo, cifra que será motivo de comemoração especial durante o encontro em Frankfurt.

Nos corredores da Feira, todos querem manipular o "Kindle", do site de vendas on-line Amazon - um leitor de livros eletrônicos que faz grande sucesso nos Estados Unidos -, seu concorrente, concebido pela japonesa Sony, ou ainda o "Readus", da Polymer Vision, cuja tela apresenta efeitos como o enrolar de um pergaminho.

Todos esperam que o livro eletrônico tenha um "efeito Ipod", um sucesso comparável ao obtido pelo famoso "walkman" da Apple.

"Se as editoras não aderirem à revolução digital, terão que fechar", explicou Fran Dubruille, da Federação Internacional de Editoras.

Allan Adler, que representa a Associação Norte-Americana de Editores, adverte que existirá um risco de pirataria quando os livros forem apresentados maciçamente em formato digital, lembrando o exemplo das indústrias fonográfica e cinematográfica.

"O que acontecerá se livros inteiros forem colocados on-line sem autorização?", perguntou.

No entanto, vários profissionais lembram que, embora a revolução digital tenha sido anunciada muitas vezes, por enquanto começou apenas realmente nos Estados Unidos, e talvez na China.

Um dos principais problemas é o do idioma, pois a maior parte dos livros digitais está escrita em inglês.

Outro obstáculo, de natureza mais técnica, é a diversidade de formatos dos livros eletrônicos.

As promessas dos fabricantes são incríveis: baixar em qualquer lugar a qualquer momento, por meio de uma rede sem fio (wireless), um livro inteiro, escolhido em um catálogo de vários milhares de títulos, por exemplo, os 185.000 da Amazon nos Estados Unidos.

Tudo isso pode ser feito em um aparelho do tamanho de um livro de bolso, cuja comodidade de leitura melhorou consideravelmente desde que foi inventado um procedimento chamado "tinta digital".

Mas o maior obstáculo é o preço desses aparelhos. "Os leitores de livros eletrônicos são caros", lembra Fran Dubruille.

Atualmente, o preço é de cerca de 300 euros, ao que se acrescenta o custo para baixá-los, que pode ser próximo ao do livro de papel.

aue/dm

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