BRASÍLIA ¿ O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, usou até mesmo o prestigio do presidente Lula em sua defesa oral no Conselho de Ética da Câmara, nesta terça-feira, onde responde a processo de quebra de decoro parlamentar, que pode levar à perda de seu mandato.

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  • Paulinho faz defesa oral no Conselho de Ética da Câmara
  • Alegando que seu nome foi usado indevidamente por terceiros nas interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal na operação Santa Tereza, que desvendou uma suposta quadrilha que desviava recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulinho emendou: "Até o Lula teve alguém assim. Lembram do Vavá?".

    Irmão do presidente, Vavá foi apontado como suspeito de envolvimento na máfia dos caça-níqueis e teria usado o nome de Lula em conversas com outros acusados, numa tentativa de usar o prestigio do irmão para negócios particulares.

    Depois de citar Vavá, Paulinho destacou que quando o assessor da Força Sindical de São Paulo, João Pedro de Moura, acusado pela PF de ser o operador do esquema de desvio de recursos, citou seu nome numa suposta divisão dos recursos, ele o fez sem autorização.

    "O próprio João Pedro deu depoimento na Justiça dizendo que mentiu quando usou meu nome", frisou o deputado, se referindo ao depoimento em que João alegou ter usado o nome do pedetista para "ampliar sua comissão" num trabalho desenvolvido com recursos do Banco de Desenvolvimento.

    O CE encerrou suas atividades nesta terça-feira e se reúne novamente amanhã, às 9h, quando volta a ouvir Paulinho. A sessão foi suspensa devido ao início da ordem do dia na Câmara, o que inviabiliza as comissões de continuarem seus trabalhos.

    Relator Insatisfeito

    O relator do processo contra o deputado Paulinho no Conselho de Ética, Paulo Piau (PMDB-MG), não se deu por satisfeito com o depoimento prestado pelo pedetista nesta tarde. Após ouvir as explicações, Piau disse que não ainda "não há convencimento" e deu idéia da gravidade das denúncias contra o parlamentar paulista alegando que "não queria estar na situação de Paulinho de forma nenhuma".

    A frase do relator diz respeito às acusações feitas pela PF ao deputado, visto que os membros do CE tiveram acesso ao inquérito, que corre sob segredo de Justiça, e foi liberado para os parlamentares pelo Supremo Tribunal Federal. 

    "Esse é só o início, temos que ouvir as testemunhas. O trabalho continua. Ainda há questões. Não estamos satisfeitos. Não há convencimento, temos que aprofundar, persistem dúvidas", disse Piau.

    Entre as dúvidas, está a relação do deputado com a ONG Meu Guri, que sua esposa, Elza Pereira é a presidente e que em 2001 recebeu R$ 1,3 milhão do BNDES. Ele também destacou a existência de um cheque, de R$ 37,5 mil de João Pedro de Moura, apontado pela PF como operador do esquema de desvio de recursos, à organização de sua mulher.

    O tema foi um dos mais debatidos pelos parlamentares, isso porque Paulinho alegou que o cheque é referente à uma espécie de recompra de um apartamento. Moura teria doado um imóvel de cerca de R$ 80 mil para a Meu Guri e depois pago os R$ 37,5 mil para tê-lo de volta.

    Segundo Paulinho a ação se fez necessária pois a ONG não teria conseguido vender o imóvel e o mesmo passou a acumular débitos com condomínio e outros impostos. Daí a recompra por Moura, para que a organização não tivesse prejuízos.

    Já sobre a compra de uma casa de praia avaliada em R$ 220 mil em Bertioga, no Litoral Sul de São Paulo, o parlamentar defendeu-se afirmando que, ao contrário do que foi mostrado na mídia, que o imóvel estaria situado em um condomínio de luxo, a casa é "modesto", com apenas 100 metros e as formas de pagamento ¿ R$ 60 mil em dinheiro e R$ 160 mil em cheque ¿ foram as condições dadas pelo vendedor para o repasse da residência.

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