Paulinho se defende e pede abertura de processo sobre BNDES

BRASÍLIA - O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, que na manhã desta quarta-feira retoma seu depoimento no Conselho de Ética da Câmara, onde responde a processo de quebra de decoro parlamentar, pediu que o inquérito que investiga suas atividades fosse aberto a todos os parlamentares. O documento corre em segredo de justiça e é proveniente da Operação Santa Tereza, que o acusa de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Severino Motta e Regina Bandeira - Santafé Idéias |


Atualmente, só os membros do Conselho de Ética têm acesso ao documento e não podem citá-lo durante as audiências públicas em que Paulinho se defende das acusações. Na opinião do deputado, esse sigilo, ao invés de protegê-lo, acaba por prejudicá-lo. Ele disse ainda que na prática nenhuma parte do inquérito se manteve sigilosa. Tudo o que está lá (no inquérito) foi dado em salaminho para a imprensa do Brasil inteiro, comentou.

Apesar da sugestão de Paulinho, o relator do processo no Conselho de Ética, deputado Paulo Piau (PMDB-MG) se mostrou receoso e sugeriu que uma reunião fechada do conselho fosse feita para que os membros pudessem inquirir Paulinho sobre o conteúdo sigiloso do inquérito.

De acordo com ele, o conselho não pode romper a confiança que lhe foi depositada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando o órgão autorizou o envio do inquérito sigiloso para consulta reservada do Conselho de Ética.

Sobre a suposta doação de um imóvel avaliado em R$ 80 mil feita por pelo assessor da Força Sindical de São Paulo, João Pedro Moura, à ONG Meu Guri, presidida pela mulher de Paulinho, Elza Pereira, o deputado alegou que na verdade não houve doação.

Segundo ele, João Pedro não doou o apartamento para a instituição, mas fez um termo de cessão para a venda e o apartamento continuou em seu nome. Ele também confeccionou uma procuração em que colocou Elza Pereira com poderes para vender o imóvel que, por não ter sido repassado, passou a acumular débitos com condomínio e outros impostos

Por causa disso, segundo Paulinho, João Pedro retomou o poder sobre o apartamento (que nunca tinha saído de seu nome) e ainda deu R$ 37,5 mil para a organização, como forma de compensação a Paulinho. O deputado alegou durante a cessão que não era justo que ele não desse nada em troca para as crianças (da Meu Guri).

Quem fez os questionamentos mais duros sobre o assunto foi o deputado Jose Carlos Araújo (PR-BA) que não se mostrou satisfeito com esses esclarecimentos do Paulinho. Uma coisa é você ceder um apartamento para uma ONG e outra é uma doação de R$ 37,5 mil que não acha compatível e mais para frente espero esclarecer, disse.

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