Paulinho deve ser levado para Conselho de Ética, diz corregedor

BRASÍLIA - O corregedor-geral da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), afirmou nesta quarta-feira que vai defender a abertura de processo de cassação no Conselho de Ética contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), caso o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, decida pedir autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue o envolvimento do parlamentar em suposto esquema de desvio de verbas do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O processo por falta de decoro parlamentar poderá levar à cassação do mandato de Paulinho.

Agência Estado |


"Se o procurador resolver abrir investigação, vou pedir imediatamente a abertura de representação contra o Paulinho no Conselho de Ética", disse Inocêncio.

Para ele, a situação do presidente da Força Sindical ficou ainda mais delicada depois da denúncia de que gravações telefônicas flagraram Paulinho discutindo como desqualificar a investigação da Polícia Federal sobre o desvio de verbas do BNDES.

"São denúncias muito graves. Ele não poderia usar o mandato de deputado para pressionar A, B ou C. O telefonema foi um momento muito infeliz", afirmou o corregedor.

Paulinho admitiu ter conversado com o advogado Ricardo Tosto sobre o episódio de desvio de verbas do BNDES. "Ricardo é meu amigo e liguei mesmo para ele. Não tem problema nenhum. Falei que ia me defender no Congresso Nacional e mostrar minha inocência", disse Paulo Pereira.

Inocêncio Oliveira está convencido de que a denúncia feita ao procurador Antonio Fernando para que o Supremo autorize a investigação de Paulinho não é apenas calcada no relatório da Polícia Federal. "O relatório da PF é muito pouco. É claro que tem mais alguma coisa", afirmou o corregedor. Ele já solicitou ao procurador o envio do relatório feito pela procuradora da República Adriana Scordamaglia sobre todo o caso.

Os dados com as denúncias envolvendo o presidente da Força Sindical chegaram nesta quarta na Corregedoria da Câmara. Depois, Inocêncio assinou ofício notificando Paulinho para prestar esclarecimentos sobre o episódio com o BNDES. O deputado tem cinco dias úteis para apresentar sua defesa.

Inocêncio Oliveira já avisou que, além de Paulinho, pretende ouvir outros envolvidos no caso: o advogado Ricardo Tosto, o ex-assessor João Pedro de Moura e o prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão (PSDB), que teria pago R$ 325 mil para o deputado intermediar um empréstimo de R$ 124 milhões junto ao BNDES.

"Vou investigar para valer. Não pode pairar qualquer dúvida", disse Inocêncio Oliveira. Segundo ele, a investigação deverá durar entre 30 e 40 dias. Até lá, o corregedor vai decidir se o caso será arquivado ou se será pedida a abertura de processo por falta de decoro parlamentar para a cassação do mandato de Paulinho. Qualquer que seja a conclusão de Inocêncio, ela tem de ser aprovada pela Mesa Diretora da Câmara.

Leia mais sobre: Operação Santa Tereza

    Leia tudo sobre: bndesfraudepaulinho da força

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG