SÃO PAULO - O Partido Democrático Trabalhista (PDT) divulgou, nesta quarta-feira, uma nota em seu site informando que o deputado Paulo Pereira da Silva, conhecido como Paulinho da Força, deixou a presidência do partido em São Paulo. Ele também deve ficar afastado da condição de membro da Executiva Nacional do partido enquanto estiverem em curso as investigações sobre irregularidades na liberação de empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Quem assume o lugar do Paulinho na presidência do PDT paulista é o deputado federal Reinaldo Nogueira.

Abr/ Antônio Cruz
O deputado federal Paulinho da Força
Na nota, o PDT salientou que a atitude de afastamento "não significa a condenação do deputado Paulo Pereira Silva, o que seria inaceitável pré-julgamento." O deputado Vieira da Cunha (RS), que assina o comunidado, informou que a decisão de afastamento foi tomada de comum acordo entre Paulinho e a direção partidária.

O PDT afirma ainda, no informe, esperar que o processo de investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) demonstre a não participação do parlamentar, "o que ensejará o recebimento do deputado Paulo Pereira da Silva de volta às funções de dirigente do partido das quais ora se afasta". Vieira da Cunha encerra a nota reafirmando que o partido tem identidade com a ética e o compromisso público de não compactuar com ilicitudes. "O PDT nunca foi, não é e jamais terá lugar para corruptos", diz a nota.

Paulinho pediu seu afastamento através de uma carta encaminhada à direção nacional do PDT na qual se disse alvo de uma "implacável, insidiosa e perversa campanha de desmoralização pública". Ele negou ter qualquer relação com supostas ações de tráfico de influência para obter empréstimos do BNDES para empresas e prefeituras. Paulinho afirmou que se afasta temporariamente para se "concentrar nas justas defesas de meu mandato e no desmascaramento das infundadas acusações".

Na carta, ele chegou a se comparar a ex-presidentes. "Nos anos 50, os conservadores, os inimigos do povo e dos trabalhadores, tentaram manchar a honra do grande Getúlio Vargas, levando-o ao suicídio. Em 1964, golpearam o presidente João Goulart e o grande líder Leonel Brizola, que passou a vida inteira, até a morte, perseguida por essas forças", disse.

O caso

Paulinho da Força Sindical é acusado de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Seu nome surgiu na Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, e, segundo o  Ministério Público Federal ele é citado não só em escutas telefônicas, como em depoimentos colhidos na investigação da Polícia Federal (PF).

Em nota oficial, a Força Sindical declarou que Paulinho "está sendo vítima, mais uma vez, de implacável perseguição política, cujo único objetivo é impedir que mantenha, como sempre manteve, sua independência política e sua luta incansável na defesa dos direitos dos trabalhadores brasileiros".

As investigações da Operação Santa Tereza tiveram início em dezembro de 2007, segundo a PF, para apurar denúncias sobre a prática dos crimes de tráfico interno e internacional de mulheres e de exploração de prostituição. Após investigações, foi constatada também a existência de um esquema de desvio de verbas de financiamentos do BNDES, conforme a PF.

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