O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, continua a depor amanhã ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Hoje, primeiro dia de depoimento, Paulinho não convenceu o relator, Paulo Piau (PMDB-MG), da inocência nas acusações de suposto envolvimento no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A suspeita principal apontada hoje foi em torno de uma operação envolvendo a doação de um apartamento para a organização não-governamental (ONG) Meu Guri, presidida pela mulher do deputado do PDT de São Paulo, Elza Pereira.

Piau e outros deputados do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar não entenderam muito bem porque a doação, feita pelo ex-consultor do BNDES João Pedro de Moura, um dos principais acusados pela Operação Santa Tereza, desencadeada pela Polícia Federal (PF), foi revertida depois que o doador pagou R$ 37,5 mil para a ONG, segundo afirmou Paulinho. "É preciso explicação mais contundente. Está muito vulnerável", afirmou o relator.

Para justificar o pagamento de R$ 37,5 mil de Moura para Elza, o deputado do PDT afirmou que se tratava de uma negociação envolvendo um apartamento na capital paulista. Segundo Paulinho, o ex-consultor do BNDES doou o imóvel no valor de cerca de R$ 80 mil para a ONG. A entidade não conseguiu vender a residência, que acumulou dívidas de condomínios e impostos atrasados. O deputado afirmou que não havia meios legais para a entidade devolver o apartamento e, por isso, Moura pagou para ter o imóvel de volta.

"Toda relação de compra e venda deixa um rastro. Temos de pegar o depoimento de Paulinho e comparar com os documentos", disse o deputado Efraim Filho (DEM-PB). O depoimento transcorreu sem muitos confrontos entre Paulinho e os membros do Conselho de Ética e Decoro. O deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) criticou o fato de os questionamentos não estarem sendo feito com base no processo que está no Supremo Tribunal Federal (STF) e que tem informações importantes, segundo ele, que precisam ser levadas em conta. "O fato de o inquérito estar sob sigilo de Justiça não impede que o relator faça perguntas sobre os dados constantes desse inquérito", afirmou.

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