Patrus Ananias confirma aumento na Bolsa Família e nega motivação econômica

BRASÍLIA - O ministro de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Patrus Ananias, confirmou o aumento de 8% no programa Bolsa Família a partir de julho e negou que o reajuste do benefício tenha motivo eleitoral. ¿A desnutrição não pode esperar. O governo do presidente Lula fez um pacto de redução das desigualdades, não podemos retroceder ou condicionar o direito à alimentação aos períodos eleitorais¿, disse o ministro, que esteve na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

Segundo Ananias, a decisão foi tomada pelo governo federal para reduzir o impacto da inflação no bolso das 11 milhões de famílias beneficiadas pelo programa. Houve aumento no preço dos alimentos e a família tem direito ao pão nosso de cada dia; tem direito a se alimentar três vezes por dia, salientou.  

O aumento médio do reajuste será de 8%; os valores passarão de R$ 18 (mínimo) para R$ 20 e de R$ 172 (máximo) para R$ 180, dependendo da renda mensal por pessoa e do número de crianças na escola.

O ministro explicou que o orçamento anual do programa passará de R$ 10,5 bilhões para R$ 10,9 bi, e assegurou que o aumento não causará impacto nas contas públicas. Foram consideradas as responsabilidades fiscais do governo. 

Patrus Ananias defendeu o aumento da Bolsa Família como um recurso de redução da pobreza e um instrumento de redução das desigualdades sociais e de renda do País.

Questionado se teme críticas da oposição, o ministro disse que esteve com líderes oposicionistas no Congresso e que não viu em nenhum momento qualquer questionamento sobre o aumento. Mas (se ocorrerem críticas) elas fazem parte do jogo democrático, ponderou.  

O aumento será assegurado por decreto presidencial, ou seja, não precisará ser aprovado no Congresso.

Oposição

Até mesmo a oposição foi obrigada a concordar com o reajuste do programa Bolsa Família. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), reconheceu a necessidade do aumento, mas criticou a falta de controle do governo com os gastos públicos que, segundo ele, teriam gerado a necessidade do aumento.  

Perguntado se o reajuste deve ter impacto eleitoral, Maia disse que não. Os beneficiários do Bolsa Família tendem a votar no candidato do governo, independente desse aumento, teorizou.  

O líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA) também apoiou o aumento como forma de aumentar a capacidade financeira da população pobre, mas ponderou: A capacidade de compra da população foi reduzida com a inflação, por isso o governo não teve outra alternativa. Isso tem que servir como alerta, pontuou.

    Leia tudo sobre: bolsa família

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG