Passeio começa com o aroma doce e picante das especiarias

Passeio começa com o aroma doce e picante das especiarias Por Mônica Nóbrega* Dubai, 25 (AE) - Nem sempre há justificativa que os olhos consigam alcançar. O aroma entre doce e picante das especiarias se apresenta antes de qualquer contorno de cidade surgir lá adiante.

Agência Estado |

Prólogo inesperado em uma região que o mundo se acostumou a associar à guerra. Por causa do petróleo, o Golfo Pérsico passou a ser sinônimo, ao mesmo tempo, de riqueza e conflito. Sempre com a segunda definição em destaque.

Faz todo o sentido lembrar que aquele braço de mar, que começa no cantinho do Oceano Índico e segue pelo Oriente Médio adentro, está cercado por países em colisão, como Iraque, Irã e Kuwait. Mas há também riqueza e um bocado de tradição em um outro grupo de nações - bastante seguras - repletas de palácios, mesquitas, mercados, praias e autêntica cultura árabe. Tudo à espera de olhos, ouvidos e, é claro, narizes curiosos.

Os Emirados Árabes são o exemplo mais evidente do esforço que os países do oeste da Península Arábica têm feito para ganhar a atenção dos viajantes (alguns, como o Bahrein, querem mais: pretendem também virar referência econômica, nos esportes... Mas esse é outro assunto).

As possibilidades de visita se multiplicam. A Qatar Airways acaba de anunciar para junho a estreia do voo direto diário entre São Paulo e Doha. Será o segundo a partir da capital paulista - há dois anos, a Emirates voa diariamente para Dubai. Opções e público dos cruzeiros marítimos crescem: foram 260 mil embarques em 2009 e uma expectativa de até 325 mil neste ano, segundo o Departamento de Marketing de Turismo e Comércio de Dubai. O terminal do Porto Rashid está em construção. Por enquanto, a imigração é feita em uma tenda improvisada.

Pensando em segurança, faz todo o sentido que mais viajantes escolham ter seu primeiro contato com a região pelas águas verdes do Golfo Pérsico. Os navios representam o ponto de referência e apoio em países dos quais se tem pouquíssimo conhecimento prático (como idioma e moeda). A distância entre os portos não é grande, o que permite mais horas em terra do que você passaria, por exemplo, em um roteiro pelo Mar Mediterrâneo.

Por isso, as armadoras têm investido na região. O cruzeiro de volta ao mundo da Cunard, no navio Queen Mary, inclui o golfo. Royal Caribbean, com Brilliance of the Seas, e Costa, com Luminosa e Deliziosa, lançaram neste ano roteiros de sete noites pelo Golfo Pérsico. Com paradas nos Emirados Árabes, em Omã e no Bahrein.

DUBAI
Ponto de partida dos cruzeiros, a metrópole mais reluzente e ambiciosa dos Emirados Árabes está muito bem equipada turisticamente. Mesmo com a gafe recente do fechamento por pane elétrica do mirante do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, um mês depois de ser aberto ao público.

Literalmente na sombra do espigão de 828 metros (que permanece fechado e apagado por tempo indeterminado, ainda um fantasma de grandes proporções na paisagem) surgiu um bulevar, imediatamente convertido na opção de vida ao ar livre que Dubai não tinha até então.

Ao redor de um lago artificial, onde ocorrem shows de fontes dançantes a cada 20 minutos, entre 18 e 22 horas, os restaurantes espalharam mesas do lado de fora (só não têm autorização para servir bebida alcoólica).

O espaço virou sucesso imediato durante o inverno. Para aproveitar as temperaturas amenas, famílias e jovens muçulmanos passavam tardes nos bancos. Praticamente um parque público de alvenaria, com direito a artistas de rua, que se apresentaram de graça durante o mês de fevereiro, por causa do 15º Dubai Shopping Festival.

No complexo há dois shoppings. O Souk Al Bahar emula a tradição dos souks, os mercados populares árabes - ou tenta, com versão light da arquitetura típica e ar condicionado potente. Já o Dubai Mall, o maior da cidade, deixa claro o seu objetivo: ser um templo do consumo das grifes mais caras do planeta na cidade livre de impostos. Em uma única esquina do Dubai Mall convivem Louis Vuitton, Channel, Dior, Hermes e Fendi. A Bloomingdale’s abriu lá sua única unidade fora dos Estados Unidos. No tema diversão há aquário e rinque de patinação no gelo.

Em outro setor está um souk de ouro. As lojas se esforçam para ter um toque tradicional, seja na decoração, seja na disposição dos vendedores para brincar de barganha. Casais muçulmanos são maioria entre o público desta área. Ali, em meio à atmosfera perfumada por incensos, o turista lembra que, independentemente das vitrines europeias e americanas, está mesmo no mundo árabe. E que Dubai é apenas a primeira escala.

* A repórter viajou a convite da Royal Caribbean

CONFIRA A ROTA

- Partida: os navios zarpam do Porto de Dubai

- Escalas: Mascate (trecho 1), Fujaira (2), Abu Dabi (3) e Manama (4). Retorno a Dubai

- Vistos: três antecipados para os Emirados Árabes (visasao@emirates.com). Omã e Bahrein emitem no porto

- Pacotes: por pessoa, desde US$ 540 na Royal (royalcaribbean.com) e US$ 599 na Costa (costacruzeiros.com)

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