Passeata de professores em São Paulo termina em tom partidário

SÃO PAULO - Durante a passeata de professores da rede estadual de São Paulo, um dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), declarou que a categoria deve conscientizar os alunos a não votarem no Serra e no Kassab. Teremos eleições para presidente e eles não podem votar no PSDB e nos Democratas. Na assembléia realizada nesta sexta, os professores decidiram prolongar a greve por mais uma semana.

Bruno Rico, do Último Segundo |

AE
Professores fazem protesto na Paulista
A manifestação contou com uma forte presença de partidos, principalmente do PT e do PC do B. Até esta sexta-feira, a presidência do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) era comandada por Carlos Ramiro, filiado ao PT, e, à partir deste sábado, será dirigida por Izabel Noronha, filiada ao mesmo partido.

Durante a passeata, foi possível perceber a presença de militantes do sindicato, da CUT, da Conlutas e de integrantes de centros acadêmicos de várias universidades.

A manifestação

Há duas semanas em greve, professores da rede estadual de São Paulo repetiram, nesta sexta-feira, os protestos realizados na semana passada. Em assembléia no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a categoria decidiu prolongar a greve por mais uma semana.

A manifestação ocupou a avenida Paulista e seguiu no sentido da rua da Consolação até chegar à praça da República, por volta das 18h. O número de participantes estimado vai de 4 mil (pela Companhia de Engenharia de Tráfego), 7 mil (pela Polícia Militar) e 60 mil (pelo Sindicato dos Professores).

A passeata causou muito trânsito na região da Paulista e do centro e foi acompanhada por policiais militares durante todo o trajeto. Mesmo assim, comerciantes, como Júlio César Duque, não se sentiram seguros com a manifestação e fecharam seus estabelecimentos. O dono de uma cafeteria declarou que "na passeata da semana passada, arrombaram a loja e levaram guaraná e Gatorade. Nem na Parada Gay acontece isso", disse. Este, no entanto, parece ter sido um caso isolado, pois os outros comerciantes mantiveram suas lojas abertas.

Durante a passeata, um dos sindicalistas falou para funcionários da Escola Estadual Marina Cintra que "a história os condenará por não aderirem à greve".

Passeata fechou ruas de São Paulo na semana passada

Rose Stefanelli
A internauta Rose Stefanelli registrou o ato

Na última sexta-feira (20), cerca de 8 mil pessoas ligadas ao sindicato dos professores fecharam ruas e avenidas de São Paulo durante o protesto.

A manifestação começou no vão livre do Masp e percorreu a avenida Paulista e a rua da Consolação, antes de terminar o ato na praça da República.

O protesto no local foi registrado pela internauta do iG, Rose Stefanélli, na foto acima.

Segundo o sindicato, 75% das escolas estaduais participaram da paralisação.

Segundo a Apeoesp, as alterações no Decreto 53037/08 e o reajuste de 5% apresentados pela Secretaria da Educação não atendem às reivindicações dos professores.

Entre outros pontos, os professores reivindicam a revogação do Decreto 53037/08; incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados; reajuste salarial que reponha as perdas acumuladas desde 1998, retroativo a março; concurso público classificatório, considerando o tempo de serviço, para efetivação de todos os ACTS; abertura imediata de negociação sobre um novo Plano de Carreira; máximo de 35 alunos por sala; extensão do ALE a todas as unidades.  

Alterações no sistema de Transferências de Professores

Nesta segunda-feira, 23, o Governo definiu algumas novas alterações sobre o sistema de transferências de professores

O limite de faltas para docentes que queiram mudar de escola, que era de 10, passa a ser de 12. Professores em licença, que antes não podiam pedir transferência, agora podem.

O decreto também obriga que, uma vez efetivado, o professor tenha que permanecer 3 anos na mesma escola para poder se transferir. Esta regra vale apenas para os docentes que acabaram de entrar na rede, e não mais para toda a categoria.

Em 2008 cerca de 40% dos 130 mil professores efetivos trocaram de escolas, segundo a Secretaria do Estado da Educação. A entidade aposta que a maior regularidade dos professores na sala de aula traduza-se em benefício para os alunos.

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